Clayton de Souza|Estadão
Clayton de Souza|Estadão

Rombo das contas externas é o menor para janeiro desde 2009

Déficit somou US$ 4,8 bi no mês passado e veio melhor do que as estimativas; já o investimento externo ficou em US$ 5,4 bilhões

Célia Froufe e Victor Martins, O Estado de S. Paulo

23 Fevereiro 2016 | 10h53

BRASÍLIA - O primeiro déficit das transações correntes do Brasil em 2016 somou US$ 4,8 bilhões, o menor para o mês desde o início da série histórica do Banco Central (BC), em 2009. O resultado veio melhor do que a mediana das estimativas coletadas pelo AE Projeções (-US$ 5,9 bilhões) e também que a previsão do próprio BC (-US$ 6,7 bilhões).

A instituição atualizou há pouco a nova série histórica das transações correntes (BPM6) até 1995. A intenção é retroagir toda a série até 1947 no próximo mês. Em abril do ano passado, o BC passou a adotar nova metodologia para essas contas, em linha com a contabilidade internacional. A série era válida apenas de 2010 até hoje. 

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, salientou que existe uma expectativa de melhora das exportações brasileiras, até como uma forma de amenizar os impactos negativos da redução da atividade doméstica. Para ele, há uma possibilidade de aumento do volume das vendas por causa da desvalorização do câmbio em 2014 e 2015.

Em janeiro, lembrou o técnico, o processo de redução das exportações continuou, mas com os preços predominando no recuo e o quantum aumentando 4% na comparação com o mesmo mês do ano passado. 

Do lado das importações, houve queda de 15% de volume e de 11% de preços. "Na comparação com janeiro há uma intensificação e, na ponta, há 36% de queda", comparou. Segundo ele, isso mostra que continua um processo de ajuste da balança. 

A balança comercial teve superávit de US$ 643 milhões no mês passado, de acordo com a autoridade monetária. A conta de renda primária em janeiro ficou negativa em US$ 4,3 bilhões. Já a conta de serviços foi negativa em US$ 1,4 bilhão no período. 

No acumulado dos últimos 12 meses até janeiro deste ano, o saldo das transações correntes está negativo em US$ 51,557 bilhões, o que representa 2,94% do Produto Interno Bruto (PIB).

Investimentos. Em janeiro, o Brasil recebeu US$ 5,4 bilhões de Investimento Direto no País (IDP), valor acima da mediana (US$ 4,8 bilhões) e do teto das projeções (US$ 5,1 bilhões). Em dezembro, o ingresso desses recursos havia somado US$ 15,211 bilhões e no primeiro mês de 2015, US$ 5,765 bilhões. 

No acumulado dos últimos 12 meses até janeiro deste ano, o saldo de IDP somou US$ 74,764 bilhões, o que representa 4,26% do Produto Interno Bruto (PIB).

A estimativa do BC para janeiro era de recebimentos de investimentos estrangeiros no total de US$ 4,6 bilhões. No Relatório de Mercado Focus, divulgado ontem pelo BC, a estimativa é de que, no acumulado deste ano, o saldo de IDP chegue a US$ 55 bilhões. 

Segundo Tulio Maciel, os Investimentos Diretos no País (IPD), recursos estrangeiros destinados ao setor produtivo, seguem positivos a despeito do cenário econômico. Segundo ele, esses investimentos respondem às oportunidades e aos preços dos ativos disponíveis, que ficaram mais baratos em função da alta do dólar frente o real.

"Os IDPs respondem às oportunidades que os investidores veem no País e o Brasil é visto como mercado robusto, com 200 milhões de consumidores", observou Maciel. Segundo ele, esses investidores tomam decisões com base em avaliações de longo prazo.

Maciel explicou ainda que o ingresso de IDPs tem sido pulverizado em diversos setores. Ele explicou que em janeiro, do total de US$ 5,455 bilhões, o seguimento que mais recebeu recursos foi o de comunicações, com US$ 500 milhões. "Isso mostra como esses ingressos estão disseminados entre todos os setores", explicou. 

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