Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Rombo das contas externas recua no 1º bimestre e investimento estrangeiro direto dobra

De acordo com o Banco Central, a melhora no resultado está relacionada com a queda nos gastos no exterior e também com a remessa menor de lucros e dividendos para fora do País

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2021 | 11h54

BRASÍLIA - O rombo das contas externas do Brasil caiu no primeiro bimestre deste ano para R$ 9,399 bilhões, o menor para este período desde 2017, informou nesta sexta-feira, 26, o Banco Central

Apenas em fevereiro, o resultado das transações correntes ficou negativo em US$ 2,326 bilhões, o menor déficit para meses de fevereiro desde 2019, quando o saldo foi negativo em US$ 1,739 bilhão. 

O déficit em transações correntes, um dos principais sobre o setor externo do País, é formado pela balança comercial (comércio de produtos entre o Brasil e outros países), pelos serviços (adquiridos por brasileiros no exterior) e pelas rendas (remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior).

De acordo com o BC, a melhora no rombo das contas externas está relacionada com o déficit menor da conta de serviços, com queda nos gastos no exterior, e também com a queda nas remessas de lucros e dividendos para fora do País.

Em um cenário de recessão por causa do coronavírus, o déficit das contas externas recuou 75% em 2020, para US$ 12,517 bilhões.

Para todo o ano de 2021, a expectativa do Banco Central é de uma nova melhora nas contas externas, por conta do bom saldo da balança comercial (fruto do dólar alto, que torna as exportações mais rentáveis e as compras do exterior mais caras). A estimativa da instituição é de um saldo positivo de US$ 2 bilhões nas contas externas neste ano, o primeiro desde 2007.

Investimento estrangeiro

O Banco Central também informou que os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira somaram US$ 10,845 bilhões no primeiro bimestre deste ano, com aumento de 107% na comparação com o mesmo período do ano passado (US$ 5,235 bilhões).

De acordo com números oficiais, o ingresso registrado nos dois primeiros meses deste ano foi o maior para o período desde 2018 (US$ 14,1 bilhões).

O volume também foi suficiente para cobrir o rombo de R$ 9,399 bilhões nas contas externas no período.

Quando o déficit não é "coberto" pelos investimentos estrangeiros, o país tem de se apoiar em outros fluxos, como ingresso de recursos para aplicações financeiras, ou empréstimos buscados no exterior, para fechar as contas.

Em todo o ano passado, os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira somaram US$ 34,167 bilhões em 2020, queda de 50,6% frente a 2019. Foi o menor ingresso em 11 anos.

Para 2021, o Banco Central estima um ingresso de US$ 60 bilhões em investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira.

Gastos de brasileiro no exterior

Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 240 milhões em fevereiro. Na comparação com o mesmo período de 2020, quando as despesas em outros países totalizaram US$ 881 milhões, a queda foi de 72,7%.

Esse também foi o menor valor para o mês de fevereiro desde 2004, quando as despesas lá fora somaram US$ 181 milhões.

No primeiro bimestre deste ano, segundo números oficiais, as despesas de brasileiros no exterior somaram US$ 548 milhões, com queda de 76,3% frente ao mesmo período de 2020 (US$ 2,319 bilhões).

A forte queda nos gastos acontece em meio às restrições provocadas pela pandemia, que resultou no fechamento de fronteiras e na suspensão de voos, e que também levou à disparada do dólar.

Depois de registrar forte alta de 29% em 2020, a moeda norte-americana registrou aumento de 2,45% em fevereiro deste ano. No primeiro bimestre de 2021, a valorização foi de 8,05%.

Além das tensões com a pandemia, dificuldades do governo em levar adiante reformas para reequilibrar as contas públicas têm influenciado o preço da moeda norte-americana.

Com a disparada do dólar, as viagens de brasileiros ao exterior ficam mais caras. Isso porque as passagens e as despesas com hotéis, por exemplo, são cotadas em moeda estrangeira.

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