Rombo deixado por De la Rúa é quase a herança de Menem

As contas públicas da Argentina fecharam o ano passado com um rombo de 9,09 bilhões de pesos (igual em dólares), cifra aproximada dos pouco mais de US$ 10 bilhões deixados pelo então presidente Carlos Menem em 1999, quando transferiu a presidência do país a Fernando de la Rúa, que acabou renunciando dois anos antes do fim de seu mandato. De acordo com dados do Tesouro argentino, o déficit fiscal em dezembro chegou a US$ 1,156 bilhão, muito longe do tão sonhado "déficit zero" proposto em março de 2001 pelo então ministro de Economia, Domingo Cavallo.Com esse resultado, a Argentina fechou 2001 com uma diferença negativa de US$ 2,59 bilhões em relação à meta acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI), de US$ 6,5 bilhões. O Ministério de Economia explicou que um dos motivos do desvio foi a fraca arrecadação tributária nos últimos meses do ano, apesar dos esforços realizados pelo governo para cortar o gasto público.O comunicado do ministério enviado à imprensa explica ainda que, em dezembro do ano passado, o ingresso de recursos, descontado o montante transferido às províncias, despencou US$ 1,33 bilhão, enquanto que o ajuste realizado foi de apenas US$ 1,01 bilhão.O Banco Central, por sua vez, informou que entre 25 de janeiro e 7 de fevereiro emitiu 776 milhões de pesos (cerca de US$ 400 milhões ao câmbio de 1,90 peso por dólar). Trata-se da primeira emissão de moeda em quase 11 anos de conversibilidade, período em que a lei proibia o BC a fazer política monetária. A emissão de moeda serviu de apoio ao governo e ao sistema financeiro, que ficaram com 324 milhões de pesos e 452 milhões de pesos, respectivamente.No início deste mês, quase 30 dias depois da desvalorização do peso argentino, o presidente do BC, Mario Blejer, chegou a afirmar que a emissão de moeda seria "extremamente cautelosa". Disse também que não haveria expansão zero de moeda, mas também não seria descontrolada. Depois do fim da conversibilidade, o Congresso argentino autorizou o BC a emitir moeda e a fazer política monetária.No Orçamento enviado ao Congresso, o Ministério de Economia prevê para este ano a emissão de 3,5 bilhões de pesos. A maioria para atender a demanda dos bancos e o restante para financiar o próprio governo por causa da forte queda da arrecadação tributário. A Argentina se encontra no quarto ano de recessão consecutiva. Leia o especial

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