Rombo externo não é grave, diz Mantega

Mesmo com o aumento para US$ 60 bilhões da projeção de déficit na conta corrente do balanço de pagamentos do Brasil com o exterior em 2011, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que o governo não vai sacrificar o crescimento da economia por causa da piora das contas externas. Na sua avaliação, a elevação do déficit no ano que vem é o "preço" que o Brasil pagará para ter uma expansão mais forte da sua economia.

Adriana Fernandes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

O ministro minimizou o rombo das contas externas, mas garantiu que o governo não deixará que o déficit se torne crônico: "Não digo que não é preocupante. Mas não é nenhum problema sério". Na terça-feira passada, ao divulgar mais um dado desfavorável nas contas externas, o Banco Central projetou um déficit da conta corrente de US$ 49 bilhões em 2010 (2,49% do PIB) e de US$ 60 bilhões em 2011 (2,78% do PIB).

Para o ministro, essa elevação do déficit "é perfeitamente administrável" e não põe em risco a solidez da economia brasileira País. Ele ressaltou que, há alguns anos, a economia tinha um déficit de 3,5%, 4% do PIB sem ter a mesma solidez que existe hoje: "O déficit não é um problema que ameaça o crescimento.".

O ministro avaliou, ainda, que o déficit em conta corrente do País é uma consequência do fraco crescimento da economia mundial. Segundo ele, há um descompasso entre a economia brasileira e a mundial, decorrente do que ele chamou de "sucesso" do País.

"Nos recuperamos mais rápido da crise. Estamos crescendo mais. Com isso, as importações estão crescendo mais e as exportações menos", ressaltou Mantega. Além disso, destacou o ministro, no cenário econômico internacional, no qual os países da Europa e os Estados Unidos estão crescendo menos, tem aumentado a disputa comercial.

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