SERGIO CASTRO/ESTADÃO
SERGIO CASTRO/ESTADÃO

Rombo nas contas externas cai 60%

Déficit das transações correntes foi de US$ 3 bi em setembro ante US$ 8,4 bi no mesmo mês de 2014; balança comercial puxa resultado

Célia Froufe e Victor Martins, O Estado de S. Paulo

23 de outubro de 2015 | 10h30

Atualizado às 21h53

BRASÍLIA - O rombo das contas externas despencou mais de 60% em setembro em relação ao mesmo mês do ano passado. Em setembro deste ano, o déficit das transações correntes foi de US$ 3 bilhões. No mesmo mês de 2014 havia sido de US$ 8,4 bilhões.

A diferença se deve em grande parte ao desempenho da balança comercial, que ficou positiva em US$ 2,6 bilhões no mês passado. Mas a recessão econômica e a disparada do dólar também contribuíram para o resultado. Provocaram uma retração no volume de gastos de brasileiros com viagens internacionais, de remessas de lucros das empresas para suas matrizes fora do Brasil e de gastos com transportes de cargas, mostrando que o País passa por um forte ajuste externo.

"O movimento pode ser explicado pela fraca atividade econômica do País neste ano, que está em recessão, e pela desvalorização do câmbio, que deixa mais favoráveis as vendas de produtos no exterior e mais caros os itens importados", disse o chefe adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Fernando Rocha. 

Visão semelhante apresentou a equipe de economistas do Bradesco. "Vemos que o ajuste segue bastante intenso, refletindo o desaquecimento da atividade econômica doméstica e da depreciação cambial", informaram, em relatório a clientes.

O dólar e a crise também causam impacto na conta de remessas e lucros, que, no acumulado do ano, está 35% menor do que nos primeiros nove meses do ano passado. "A redução era esperada e está associada à recessão no País", disse Rocha. "Os lucros são auferidos em reais e isso também contribui para a redução das remessas."

Em 2015, os envios foram de US$ 13,7 bilhões, dos quais US$ 2 bilhões apenas em setembro. "Em nossa visão, tratou-se de um movimento pontual, diante da fraca atividade do País", disse a equipe de analistas do Bradesco. Na conta de transportes, dado o fluxo de comércio menor, as despesas se reduzem, conforme o técnico do Banco Central. "Temos observado no ano redução de 29%".

Investidor. A perspectiva de crise por tempo indeterminado também diminuiu o ímpeto do investidor. O setor produtivo recebeu de janeiro a setembro do ano passado US$ 73,3 bilhões e, nos mesmos meses deste ano, US$ 48,2 bilhões. Nos últimos meses, no entanto, o Investimento Direto no País (IDP) tem ficado na casa de US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões por mês. Isso pode significar, de acordo com o BC, que haverá retomada porque o País está se tornando mais barato. A previsão para o ano é de ingressos de US$ 65 bilhões, que se confirmados, será o valor necessário para cobrir o rombo.

Os brasileiros também reduziram os investimentos no exterior. No ano somam US$ 11,8 bilhões ante US$ 23,3 bilhões de igual período de 2014. Para Rocha, o câmbio é o principal fator que explica essa redução porque os ativos estrangeiros ficam mais caros. 

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