Rombo nas contas externas do País no acumulado de 12 meses é o maior desde 2002

Segundo o Banco Central, no acumulado em 12 meses, o déficit em conta corrente do País ficou em 3,70% do PIB, o maior porcentual desde fevereiro de 2002

Célia Froufe, Victor Martins, O Estado de S. Paulo

24 de outubro de 2014 | 11h02

BRASÍLIA - O País voltou a registrar um rombo em sua conta corrente no mês de setembro. No acumulado em 12 meses encerrados no mês passado, o saldo negativo está em US$ 83,557 bilhões, o que representa um déficit de 3,70% do Produto Interno Bruto (PIB), o maior desde fevereiro de 2002 (3,94%).

Em setembro, o déficit nas transações correntes ficou em US$ 7,907 bilhões, o maior saldo negativo desde o início da série histórica do Banco Central (a série mensal começou em 1980). O maior resultado negativo dessa conta em um mês de setembro até então havia sido observado em 1998, quando ficou em US$ 4,837 bilhões. Desde 2007, o Brasil não registra superávit em conta corrente em um mês de setembro. Na ocasião, o saldo ficou positivo em US$ 548 milhões.

O déficit apresentado pelo BC é o quarto maior do ano, perdendo para os resultados negativos vistos em janeiro (US$ 11,522 bilhões), fevereiro (US$ 7,385 bilhões) e abril (US$ 8,275 bilhões).

Nos nove primeiros meses do ano, o déficit em conta corrente está em US$ 62,730 bilhões, o que representa 3,72% do Produto Interno Bruto (PIB). A previsão do BC para o período, apresentada no mês passado, era de um saldo negativo de US$ 6,7 bilhões. 

A soma das transações correntes com a "conta capital e financeira" e os "erros e omissões" resulta no Balanço de Pagamentos. Se o BP é negativo, significa que para pagar todas as contas externas o País usou parte das reservas internacionais. Em setembro, o Balanço de Pagamentos foi superavitário em US$ 339 milhões, o que significa que houve uma poupança para as reservas internacionais.

Investimento estrangeiro. Em relação ao Investimento Estrangeiro Direto (IED), o ingresso de US$ 4,214 bilhões no mês passado foi o mais baixo desde junho, quando ficou em US$ 3,924 bilhões. O resultado do IED de setembro também é o menor para o mês desde 2009, quando ficou em US$ 1,816 bilhão.

No acumulado do ano até o mês passado, o IED soma US$ 46,215 bilhões, o equivalente a 2,74% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período do ano passado, o IED acumulado era de US$ 43,747 bilhões (2,62% do PIB). No últimos 12 meses até setembro, o IED está em US$ 66,464 bilhões, o que corresponde a 2,94% do PIB.

O Banco Central informou também que o investimento estrangeiro em ações brasileiras registrou um saldo positivo de US$ 660 milhões em setembro. No mesmo período do ano passado essa conta estava positiva em US$ 2,228 bilhões. No acumulado deste ano até setembro, o saldo está em US$ 11,304 bilhões, maior do que o total de US$ 9,657 bilhões vistos em igual período do ano passado. As aplicações em ações negociadas no País concentraram todo saldo, já que as negociadas no exterior (como ADRs) registraram um saldo negativo de US$ 1 milhão.(Texto atualizado às 15h50 com informações da Reuters)

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