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Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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Rombo nas contas externas é o maior em seis anos, mas investimentos cobrem buraco

Resultado é o pior para meses de março desde 2015; conta de transações correntes no balanço de pagamentos engloba todos os negócios do Brasil com o exterior

Eduardo Rodrigues e Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2021 | 10h36

BRASÍLIA - O resultado das transações correntes ficou negativo em março deste ano, em US$ 3,97 bilhões, informou nesta segunda-feira, 26, o Banco Central. Este é o pior resultado para meses de março desde 2015, quando houve déficit de US$ 5,772 bilhões. Ou seja, é o maior buraco em seis anos.  

A conta de transações correntes no balanço de pagamentos engloba todos os negócios do Brasil com o exterior, incluindo o saldo comercial de mercadorias e serviços, as remessas de lucros e dividendos e os juros pagos pelas empresas, além das transferências pessoais entre países. 

Para abril, o BC projeta que as contas externas devam fechar no azul, em US$ 5,7 bilhões. 

O número de março ficou dentro do levantamento realizado pelo Projeções Broadcast, que tinha intervalo de déficit de US$ 9 bilhões a superávit de US$ 3,2 bilhões.

A balança comercial registrou saldo negativo de US$ 437 milhões em março, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 1,057 bilhão. A conta de renda primária também ficou deficitária, em US$ 2,993 bilhões. No caso da conta financeira, o resultado ficou negativo em US$ 3,919 bilhões.

No acumulado do primeiro trimestre de 2021, o rombo nas contas externas soma US$ 15,361 bilhões. A estimativa atual do BC é de superávit em conta corrente de US$ 2 bilhões em 2021. O cálculo foi atualizado no último Relatório Trimestral de Inflação (RTI).     

Se concretizado, será o primeiro resultado no azul após 14 anos. A última vez em que o resultado ficou no azul ocorreu no boom global das commodities do começo deste século, quando o Brasil registrou superávits por cinco anos consecutivos a partir de 2003.

Até o fim do ano passado, o BC previa um novo déficit de US$ 19 bilhões nas contas externas para 2021. Mas, com o crescente aumento nos preços das commodities (produtos básicos, como petróleo, grãos e miniério de ferro) que o Brasil produz, a autoridade monetária  elevou a projeção de resultado em US$ 21 bilhões, para saldo positivo de US$ 2 bilhões.

Investimentos cobrem rombo

O resultado negativo nas contas externas em março foi coberto pelo ingresso de Investimentos Diretos no País (IDP), que somaram US$ 6,86 bilhões. No mesmo período do ano passado, o montante havia sido de US$ 7,386 bilhões.

No acumulado do primeiro trimestre, o ingresso de investimentos estrangeiros destinados ao setor produtivo somou US$ 17,7 bilhões. A estimativa do BC para este ano é de IDP de US$ 60 bilhões. Este valor foi atualizado no último Relatório Trimestral de Inflação (RTI).

Gastos de brasileiros no exterior em menor patamar em 16 anos

Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 313 milhões em março, ainda de acordo com o BC, queda de quase 50% em relação ao mesmo mês de 2020, no início da pandemia no Brasil.

Esse também foi o menor valor para o mês de março desde 2005, ou seja, em 16 anos, quando as despesas lá fora somaram US$ 260 milhões.   

No primeiro trimestre deste ano, as despesas de brasileiros no exterior somaram US$ 860 milhões, com queda de 70,6% na comparação com o mesmo período de 2020 (US$ 2,931 bilhões).

A forte queda nos gastos acontece em meio às restrições provocadas pela pandemia do novo coronavírus, que resultou no fechamento de fronteiras e na suspensão de voos, e que também levou à disparada do dólar.

De acordo com dados do BC, em março deste ano os estrangeiros gastaram US$ 213 milhões no Brasil, com queda frente ao patamar registrado no mesmo mês de 2020 (US$ 385 milhões).

Nos três primeiros meses deste ano, os gastos de estrangeiros no Brasil somaram US$ 693 milhões, com recuo de 54,9% contra o mesmo período de 2020 (US$ 1,538 bilhão). 

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