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Rombo nas contas externas soma US$ 4 bilhões em julho e tem melhor resultado mensal desde 2009

Nos sete primeiros meses do ano, o déficit em conta corrente é de US$ 12,5 bilhões; projeção do BC para 2016 é de um rombo de US$ 15 bilhões

Fabrício de Castro, Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2016 | 15h47

BRASÍLIA - Após o déficit de US$ 2,479 bilhões em junho, o resultado das transações correntes ficou negativo em US$ 4,050 bilhões em julho. A projeção do Banco Central para a conta corrente do mês passado era de um saldo negativo de US$ 4,3 bilhões, em razão da expectativa de que o ajuste nas contas externas, no segundo semestre, venha em ritmo mais lento, em meio a um real mais valorizado e aos sinais de estabilização da atividade. O déficit de julho representa o melhor resultado para o mês desde 2009, quando ficou negativo em US$ 2,555 bilhões.

O resultado de julho ficou abaixo da mediana negativa de US$ 3,725 bilhões apontada pelo levantamento realizado pelo Projeções Broadcast, sistema de informações do Grupo Estado, com 24 instituições. O intervalo das previsões de déficit ia de -US$ 4,7 bilhões a -US$ 1,7 bilhão. A estimativa do BC é de que o rombo externo de 2016 seja de US$ 15 bilhões. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, afirmou que a estimativa da instituição para agosto é de déficit em conta de US$ 800 milhões.

Maciel atribuiu mais uma vez à balança comercial o principal papel do ajuste das contas externas brasileiras. "Tem sido o segmento de maior ajuste", afirmou. De janeiro a julho, de acordo com ele, as importações recuaram 27%, com queda de 10% nos preços e de 19% do quantum. As exportações tiveram recuo bem menor no período, de 5,6%, m os preços em baixa de 13,6% no ano e o volume ainda crescendo 9% de janeiro a julho.

Em julho, o saldo da balança comercial foi positivo em US$ 4,327 bilhões, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 2,326 bilhões. A conta de renda primária também ficou deficitária em US$ 6,278 bilhões. No caso da conta financeira, o resultado ficou no vermelho em US$ 3,551 bilhões.

No acumulado do ano até julho, o rombo nas contas externas soma US$ 12,541 bilhões. Já nos últimos 12 meses até julho deste ano, o saldo das transações correntes está negativo em US$ 27,852 bilhões, o que representa 1,57% do Produto Interno Bruto (PIB). Esta relação é igual à de dezembro de 2009 e a menor desde novembro do mesmo ano, quando ficou em 1,42%.

Investimento. Os Investimentos Diretos no País (IDP) surpreenderam a maior parte das expectativas do mercado ao somarem entradas de US$ 78 milhões em julho, o menor volume desde março de 1995. No ano até julho, o saldo está em US$ 34 bilhões ante US$ 36,9 bilhões de igual período do ano passado. 

De acordo com o BC, a conta esteve negativa no início de julho em função de uma operação no mercado financeiro "envolvendo bancos". A instituição, porém, não comenta operações específicas. No fim de junho, a compra do HSBC pelo Bradesco foi oficialmente finalizada, o que pressupõe pagamentos ao exterior e pode ter justificado o IDP negativo. Para 2016, o BC estima que os investidores estrangeiros trarão US$ 70 bilhões para o setor produtivo brasileiro.

No acumulado de 2016 até julho, o ingresso de investimentos estrangeiros destinados ao setor produtivo soma US$ 33,894 bilhões. Já no acumulado dos últimos 12 meses até julho deste ano, o saldo de investimento estrangeiro ficou em US$ 72,044 bilhões, o que representa 4,06% do Produto Interno Bruto (PIB).

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