Reuters
Reuters

Rombo nas contas externas soma US$ 5,7 bilhões em março e supera expectativas

Investimentos Diretos totalizaram US$ 4,3 bilhões no mês e não foram suficientes para cobrir o déficit do setor externo

Adriana Fernandes e Victor Martins, O Estado de S. Paulo

22 de abril de 2015 | 10h40

Atualizado às 13h

O rombo nas contas externas alcançou US$ 5,7 bilhões em março, segundo a nova metodologia do Banco Central para as estatísticas de setor externo. Com as mudanças adotadas pela instituição, a série histórica foi reduzida e há dados disponíveis somente a partir de janeiro de 2014. Anteriormente, as informações iam até 1947. A projeção do BC para o déficit em conta corrente de março era de US$ 5,5 bilhões.


O resultado também ficou ligeiramente acima das expectativas colhidas pelo AE Projeções, que iam de déficit de US$ 4,2 bilhões a déficit de US$ 5,7 bilhões (a mediana negativa encontrada foi de US$ 4,9 bilhões).

No acumulado dos últimos 12 meses até março deste ano, o saldo das transações correntes está negativo em US$ 101,641 bilhões. No trimestre, o rombo nas contas externas soma US$ 25,394 bilhões.

Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, a nova metodologia das contas externas afetou pouco a trajetória da relação entre transações correntes e o Produto Interno Bruto (PIB). Dentro desse novo arcabouço, essa relação saiu de 4,2% do PIB para 4,4% em 2014. "Nós incorporamos novas despesas em transações correntes, isso elevou o déficit, mas o PIB também ficou maior (depois da revisão do IBGE) e absorveu isso", explicou. Para 2015, segundo Maciel, foi mantida a perspectiva de redução do déficit em conta corrente.

Em março, o desempenho das contas externas foi influenciado pela relação comercial com outros países e pelas contas de serviços e renda. A balança comercial registrou um saldo positivo de US$ 230 bilhões, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 3,862 bilhões. A conta de renda também ficou deficitária em US$ 2,234 bilhões.

Investimentos. Os Investimentos Diretos no País (IDP, antes chamados de IED) não foram suficientes para cobrir o rombo externo. Esses recursos trazidos por estrangeiros e que são destinados para o setor produtivo somaram US$ 4,263 bilhões em março, deixando uma diferença a ser coberta por capital especulativo, recursos que têm sido atraídos ao Brasil pelo elevado diferencial entre os juros externo e doméstico. 

O resultado ficou ligeiramente acima das estimativas apuradas pelo AE Projeções, feitas com base na metodologia antiga, que iam de US$ 3,3 bilhões a US$ 4,2 bilhões, com mediana de US$ 3,7 bilhões. Pelos cálculos do Banco Central, o IDP de março ficaria em US$ 3,6 bilhões. A estimativa da autarquia foi feita com base nos números até 20 de março, quando o País havia recebido US$ 2,4 bilhões em recursos externos. 

No acumulado dos últimos 12 meses até março deste ano, o saldo de Investimento Estrangeiro ficou em US$ 88,793 bilhões, o que representa 3,97 % do Produto Interno Bruto (PIB). No trimestre, o ingresso de investimentos estrangeiros destinados ao setor produtivo soma US$ 13,136 bilhões.

A estimativa para a dívida externa brasileira em março é de US$ 347,761 bilhões. Segundo o Banco Central, em dezembro de 2014, último dado verificado, a dívida estava em US$ 348,489 bilhões. No fim de 2013, a dívida era de US$ 308,625 bilhões.

Metodologia. As mudanças de nomenclatura fazem parte de uma série de alterações implementadas pelo BC para acompanhar a nova edição do manual de balanço de pagamentos do Fundo Monetário Internacional (FMI). A última revisão havia sido em 2001. 

Com a mudança, o BC introduziu nas estatísticas o conceito de "lucros reinvestidos" - que ocorre quando uma empresa obteve um lucro e decide manter esses recursos no Brasil em vez de repatriá-lo para a matriz. Essa nova conta tem impacto no registro de IDP, mas não afeta o fluxo cambial. Em março, os lucros reinvestidos ficaram negativos em US$  223 milhões. 

O documento divulgado hoje traz 32 quadros, com 35 anexos, sendo cinco tabelas novas (para a conta de capital, câmbio contratado com financeiro detalhado, demonstrativo integrado de posição de investimento internacional, investimento direto no País com distribuição por setor de atividade econômica, e investimento direto com distribuição por país). 

Já na conta financeira, o BC introduziu uma mudança de sinal que reflete a posição do estoque. Na conta de transações correntes e de capital não há mudanças de sinais, apenas de nomenclaturas.

Mais conteúdo sobre:
setor externobanco central

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.