Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Rombo nas contas externas tem queda em fevereiro e fica em US$ 935 mi, menor para o mês desde 2009

Em janeiro, a baixa era de US$ 5,085 bi; no acumulado dos dois primeiros meses, o déficit soma US$ 6,02 bilhões

Eduardo Rodrigues e Fernando Nakagawa, Broadcast

24 de março de 2017 | 10h48

BRASÍLIA - O resultado das transações correntes ficou negativo em US$ 935 milhões em fevereiro deste ano. No acumulado dos dois primeiros meses do ano, o déficit corrente soma US$ 6,020 bilhões. O número foi apresentado nesta sexta-feira, 24, pelo Banco Central. O resultado representa forte queda na comparação com janeiro, quando o saldo negativo somou US$ 5,085 bilhões. O BC projetava para fevereiro um déficit em conta de US$ 1,3 bilhão.

O chefe-adjunto do departamento econômico do Banco Central, Fernando Rocha, avaliou que o rombo em fevereiro foi o menor saldo negativo para o mês deste 2009, quando o déficit foi de US$ 647 milhões.

O resultado do mês passado foi pior que a mediana que previa saldo positivo de US$ 200 milhões apontada pelo levantamento realizado pelo Projeções Broadcast com 22 instituições, que coletou previsões que oscilaram de déficit de US$ 1,880 bilhão a superávit de US$ 1,100 bilhão. A estimativa do BC para o rombo externo em 2017 foi elevada de US$ 28 bilhões para US$ 30 bilhões.

A balança comercial registrou um saldo positivo de US$ 4,378 bilhões em fevereiro, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 2,422 bilhões. A conta de renda primária ficou deficitária em US$ 3,058 bilhões. No caso da conta financeira, o resultado ficou no vermelho em US$ 577 milhões.

Nos últimos 12 meses até fevereiro deste ano, o saldo das transações correntes está negativo em US$ 22,818 bilhões, o que representa 1,24% do Produto Interno Bruto (PIB).

Projeções. O Banco Central atualizou as projeções para as contas externas em 2017. De acordo com as novas estimativas, a previsão de déficit em transações correntes em 2017 subiu de US$ 28 bilhões para US$ 30 bilhões. O valor será integralmente coberto pela expectativa de ingresso de Investimento Direto no País (IDP), cuja previsão oficial continuou em US$ 75 bilhões.

A previsão de déficit em conta corrente neste ano é feita com base na expectativa de que 2017 terminará com saldo negativo de US$ 36,7 bilhões na conta de serviços - ante estimativa anterior de US$ 31,2 bilhões. Nessa nova projeção foi elevada a previsão de déficit na conta de viagens internacionais, de 10,5 bilhões para US$ 12,5 bilhões no ano. Já a previsão de aluguel de equipamentos subiu de US$ 17,5 bilhões para US$ 19,5 bilhões.

Também contribuiu para a previsão de déficit em transações correntes o saldo negativo da chamada conta de renda primária. Nesse grupo, está a previsão atualizada para as remessas de lucros e dividendos em 2017, estimativa que subiu de US$ 23,5 bilhões para US$ 26,5 bilhões. Nessa rubrica, também é contabilizado o pagamento de juros no exterior, cuja projeção foi atualizada e passou de US$ 20,9 bilhões para US$ 21,4 bilhões.

O rombo das contas externas é amenizado pela balança comercial. Estimativa oficial do BC prevê superávit comercial de US$ 51 bilhões neste ano, valor superior à previsão anterior de saldo positivo de US$ 44 bilhões. Essa previsão foi construída com base na projeção de que as exportações brasileiras em 2017 ficarão em US$ 200 bilhões e as importações, em US$ 149 bilhões. As previsões anteriores eram de US$ 195 bilhões para os embarques e US$ 151 bilhões para a compra de importados.

Carteira. O BC também atualizou a previsão de investimento estrangeiro em ativos financeiros brasileiros. A projeção de investimento em ações brasileiras - inclusive recibos negociados no exterior e fundos de investimento se manteve em US$ 10 bilhões.

Já a previsão de saída líquida dos estrangeiros dos títulos de renda fixa negociados no Brasil diminuiu de US$ 10 bilhões para US$ 7 bilhões. O BC também atualizou a projeção de investimento brasileiro no exterior, que diminuiu de US$ 18 bilhões para US$ 14 bilhões.

Dívida externa. A estimativa do Banco Central para a dívida externa brasileira em fevereiro é de US$ 315,051 bilhões. Segundo a instituição, o ano de 2016 terminou com uma dívida de US$ 321,297 bilhões. 

A dívida externa de longo prazo atingiu US$ 262,774 bilhões em fevereiro, enquanto o estoque de curto prazo ficou em US$ 52,278 bilhões no fim do mês passado, segundo as estimativas do BC. 

Tudo o que sabemos sobre:
BRASÍLIABanco CentralPib

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.