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Rombo no setor aéreo chega a R$ 7 bi

Cenário se opõe à indústria global, que terá lucro recorde de US$ 25 bilhões

Marina Gazzoni, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2015 | 03h00

As empresas aéreas brasileiras deverão fechar o ano com um rombo de caixa de R$ 7 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). Trata-se de um cenário oposto ao da indústria global, que se prepara para ter lucros recordes de US$ 25 bilhões. “Além de crise e câmbio, as empresas brasileiras sofrem porque o País não é competitivo. O combustível é um dos mais caros do mundo”, disse Peter Cerda, vice-presidente de América Latina na Associação Internacional de Transporte Aéreo.

As empresas brasileiras sofreram um choque de custos com a alta do dólar, já que 60% das suas despesas estão em moeda americana, como combustível e leasing de aeronaves. Para ter rentabilidade, elas teriam de elevar o preço da passagem, o que não vem acontecendo. O preço pago pelo quilômetro voado na Gol foi 3% menor no terceiro trimestre, segundo o banco Morgan Stanley.

As passagens áreas caíram porque o cliente corporativo, que paga tarifas maiores, está viajando menos. Os maiores clientes – o governo, as construtoras, a indústria de óleo e gás e mineração – enfrentam uma grave crise econômica. No curto prazo, as empresas aéreas tentaram substituir esses passageiros por turistas, com preços abaixo do custo do assento.

A visão das empresas é de que isso é insustentável no médio prazo e é melhor voar menos do que operar no vermelho. “A aviação brasileira vai encolher, para manter as empresas em operação”, disse o presidente da Abear, Eduardo Sanovicz.

O setor reagiu com pedidos ao governo. Sanovicz visitou quatro ministérios em outubro –Fazenda, Planejamento, Energia e na Secretaria de Aviação Civil (SAC). Entre os pedidos, está a revisão do preço do combustível. A SAC diz que está avaliando as propostas. 

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