Rompimento de contrato com Copel preocupa Endesa

A Endesa, através de sua subsidiária brasileira Cien, emitiu um comunicado sobre a decisão do governador do Paraná Roberto Requião de romper os contratos da Copel para a compra de energia importada da Argentina, no qual manifesta que "a Cien está muito preocupada com a situação, pois contratos são para serem honrados, independentemente de mudanças nas administrações das companhias". Além disso, a Cien lembra que "tem fortes compromissos na Argentina, pelo mesmo período de 20 anos, em virtude dos Tratados Internacionais firmados entre Brasil e o país". Segundo o comunicado distribuído à imprensa, "o descumprimento dos contratos pela Copel com o não pagamento das faturas foi uma decisão unilateral dessa, em decorrência da moratória decretada pelo Estado do Paraná". A Cien insistiu em que "os contratos são válidos por 20 anos" e que "foram negociados durante quase dois anos, para aliviar o déficit energético do Brasil, tendo sido cumpridos até dezembro de 2002". A nota também reforça o fato da Cien ter "um investimento superior a US$ 700 milhões, referente à Interconexão Brasil-Argentina, financiada pelo BID e pelo KfW, que já estão cientes da situação" e informa que teve reuniões com a diretoria da COPEL, "tentando buscar soluções para equacionar a inadimplência, mas, por enquanto, não foi possível. Tanto o Ministério de Minas e Energia quanto a Aneel já estão informados da inadimplência da Copel", finaliza o comunicado. Conforme o assessor de imprensa da Endesa, com sede no Chile, Fernando Nadal, todas as posições da empresa em relação a este assunto serão emitidas pela assessoria de sua subsidiária no Rio de Janeiro, através da assessora Fernanda Amaral. Para os analistas do mercado energético da Argentina, a decisão do governador do Paraná, Roberto Requião, será "extremamente prejudicial para o setor privado que investiu neste negócio", afirmou à Agência Estado, o analista Daniel Llarens, da consultoria Mercados Energéticos. Segundo ele, a Argentina não pode absorver esse "excesso de energia que foi gerado, exclusivamente, para vender ao Brasil". Llarens diz que será "um duro golpe para os investidores que planejaram vender energia ao Brasil e que ainda estão amortizando os investimentos feitos em dólares". O analista explica que os exportadores de energia ao Brasil ficarão sem alternativa porque além da energia no mercado interno "estar custando muito barato, não há capacidade para se absorver toda a energia gerada".

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