Rosenberg e Santander Asset vencem o Broadcast Projeções

Em um ano marcado por indefinições no cenário macroeconômico nacional e internacional, as equipes de economistas da Rosenberg Associados e da Santander Brasil Asset conseguiram fazer as previsões mais acertadas sobre a economia e foram as vencedoras do Ranking Broadcast Projeções 2013 nas categorias Top 10 Geral e Top 10 Básico, respectivamente.

MARIA REGINA SILVA, FLAVIO LEONEL E DENISE ABARCA, Agencia Estado

28 de maio de 2014 | 20h53

O ranking reconhece as estimativas que mais se aproximaram do resultado efetivo dos indicadores em 2013, divididas em duas categorias. Na principal, Top 10 Geral, são avaliadas as previsões econômicas para sete indicadores: inflação (IPCA e IGP-M), taxa de juros (Selic), câmbio (em dólar), Produto Interno Bruto (PIB), balança comercial e relação dívida/PIB. Já no Top 10 básico são classificadas as estimativas para inflação, câmbio e Selic.

Se fazer previsões econômicas em 2013 não foi fácil, para este ano as incertezas com o processo eleitoral, o risco de racionamento e as dúvidas sobre o ritmo de retomada da economia internacional não simplificam a tarefa. Uma questão é certa: o quadro econômico é de dificuldades em 2014 e exigirá esforços do próximo governo, seja de continuidade ou não.

Economistas das instituições vencedoras do Ranking Broadcast 2013 são unânimes em afirmar que a economia vai crescer pouco em 2014 e a inflação ficará muito perto do teto da meta de 6,5%. Eles chamam a atenção, ainda, para a complicada questão fiscal e alertam sobre o desânimo dos empresários em investir no País, em razão das incertezas trazidas pelo processo eleitoral.

Desempenho

Os sinais vindos dos últimos indicadores de atividade divulgados recentemente apontam para uma redução do crescimento econômico. "Existe uma perda do dinamismo com a entrada do segundo trimestre e esperamos para os próximos meses moderação do consumo e desempenho fraco dos investimentos", avalia Ricardo Denadai, economista-chefe da Santander Brasil Asset, vencedor do ranking na categoria Top 10 Básico.

Está se configurando, na opinião dos economistas, uma combinação de atividade fraca e pressão inflacionária. Juan Jensen, economista e sócio da Tendências Consultoria Integrada, diz que o quadro atual é "muito ruim", com a economia praticamente estagnada e inflação rodando perto do teto da meta. "E a questão eleitoral causa incerteza quanto à política a ser adotada pelo próximo governo", afirma o economista, que ocupa o segundo lugar na categoria Top 10 Geral e oitava colocação no Top 10 Básico.

Para garantir o crescimento econômico, no entanto, seria necessário um ajuste mais rígido nas contas públicas. Jensen ressalta que com uma política fiscal expansionista, a alta dos juros acaba tendo um impacto menor para conter a inflação.

A tarefa de ajustar as contas públicas, no entanto, não será fácil. A economista-chefe da Rosenberg Associados, Thaís Marzola Zara, grande vencedora do Ranking Broadcast 2013 na categoria Top 10 Geral e quarta posição no Top 10 Básico, afirma que a área fiscal continuará como fator de difícil solução. "Basta ver a estrutura engessada do Orçamento e a utilização cada vez maior dos restos a pagar como artifício para postergar pagamentos", diz, resumindo: "A conta, um dia, chega."

Além da questão fiscal, Denadai, da Santander Asset, cita o problema da inflação represada dos preços administrados. "São os dois principais desafios que deverão ser endereçados logo no início de 2015".

Ele afirma que o governo eleito terá de definir uma política fiscal clara para o período 2015-2018. Também terá de decidir a estratégia que será usada para normalização dos preços administrados reprimidos, definindo se a alta das tarifas vai acontecer de forma gradual ou se haverá um choque.

Futuro

Neste ambiente de dúvidas, os analistas mostram preocupação sobre a possibilidade de o presidente eleito conseguir colocar a casa em ordem. Segundo Jensen, esse cenário de indefinição deixa o empresariado em compasso de espera em relação à tomada de decisões em um momento já complicado. "Deprime o investimento", afirma.

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