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Rosenberg: IPCA-15 menor não deve frear alta de juros

O fato de o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, ter reafirmado , na terça-feira, 22, em seu discurso na Câmara Federal, que a autoridade vai agir "tempestivamente" na condução da política monetária e ter se comprometido em atacar a inflação no médio e longo prazos minimiza o impacto que a desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) poderia exercer sobre a política monetária no curto prazo. A avaliação é da economista da Rosenberg & Associados, Priscila Godoy.

FRANCISCO CARLOS DE ASSIS E BEATRIZ BULLA, Agencia Estado

22 de maio de 2013 | 10h13

Segundo ela, a consultoria mantém sua expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) elevará a taxa básica de juros (Selic), na quarta-feira (29), em 0,50 ponto porcentual, de 7,5% ao ano para 8%. "Não tem muito a mudar na decisão do Banco Central", afirmou ao Broadcast.

Ainda de acordo com Priscila, a desaceleração da inflação se deu em grande parte por causa da diminuição da média de preços dos alimentos, de 1% em abril para 0,47% em maio. O restante da desaceleração do índice, de acordo com ela, deu-se por fatores sazonais. O resultado do IPCA-15 de maio, de 0,46% ante 0,51% em abril, veio exatamente em cima da projeção da Rosenberg. Mesmo assim, há uma surpresa para a casa na leitura do indicador. "O resultado confirmou uma desaceleração de alimentos maior do que o esperado. Isso significa que o restante dos itens subiu mais do que eu previa e essa alta não é pontual, está disseminada", disse a economista.

A desaceleração em alimentos traz um alívio, segundo a economista, pois o resultado deste grupo no IPCA-15 "era essencial para a projeção de fim do mês". No fechamento de maio, a consultoria espera uma desaceleração da alta de 0,55% do IPCA em abril para um resultado entre 0,30% e 0,35%. "Alimentos vão desacelerar um pouco mais e não terá mais o reajuste de remédios", explicou a economista. "Fora isso, a única coisa que se comemora mais é que a difusão baixou para um patamar menos preocupante (de 68,2% para 61,4%)." O peso da sazonalidade na desaceleração do IPCA-15 fez com que a desaceleração da inflação no acumulado em 12 meses fosse pequena, passando de 6,51% para 6,46%.

Apesar da desaceleração no IPCA-15 de maio, ainda merecem atenção os resultados dos núcleos do indicador, aponta Priscila. "O IPCA-DP, por exemplo, estourou o teto da meta em 12 meses (ficou em 6,52%). É preocupante", afirmou. A média dos núcleos calculada pela Rosenberg passou de 0,45% em abril para 0,50% na leitura do IPCA-15 de maio e, no acumulado 12 meses, de 6,07% para 6,09%. "Qualitativamente tem uma pressão adicional", disse.

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