Rosenberg: queda de vendas do varejo não é tendência

A despeito da queda de 0,10% nas vendas do varejo restrito (que excluem as atividades de material de construção e veículos), a tendência ainda não é de arrefecimento nas vendas do setor, na opinião da economista-chefe da Rosenberg & Associados, Thaís Zara. Ela explicou que ainda é preciso aguardar os próximos resultados de inflação e do próprio varejo para saber se o movimento irá persistir.

MARIA REGINA SILVA, Agencia Estado

15 de maio de 2013 | 11h41

"O dado como um todo mostra quer o comércio desacelerou. Mas vale lembrar que em fevereiro e março deste ano houve menos dias úteis do que nos mesmos meses de 2012. Mesmo que o filtro sazonal tente corrigir isso, sempre pode ficar alguma rebarba. Precisamos dos dados de abril para confirmar se há perda de dinamismo", avaliou em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, acrescentando que a expectativa de abrandamento nas taxas de inflação nos próximos meses também pode manter as vendas em alta. Segundo ela, por enquanto a projeção de crescimento nas vendas varejistas em 2013 está mantida em 6%.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) as vendas do comércio cederam 0,1% em março na comparação com fevereiro, com ajuste sazonal. No confronto com março de 2012, houve aumento de 4,5%. Já as vendas do varejo ampliado subiram 0,2% no terceiro mês de 2013 frente o anterior e cresceram 3,0% contra março do ano passado.

Para a economista da Rosenberg, que esperava estabilidade nas vendas no conceito restrito, na margem, o resultado veio ruim e basicamente foi influenciado pela alta da inflação de alimentos, que pesa bastante no segmento de supermercados. "Na taxa interanual, o fato de a Páscoa deste ano ter sido em março, enquanto no ano passado foi em abril, ajudou um pouco o resultado de supermercados", afirmou ela, que previa aumento de 4,60% nessa base de comparação. Segundo o IBGE, as vendas em supermercados caíram 2,10% em março contra fevereiro, mas avançaram 4,0% ante março de 2012.

Thaís também ressaltou como positivo o crescimento de 1,90% nas vendas de veículos no terceiro mês deste ano em relação a fevereiro. "Teve um desempenho um pouco melhor de veículos, o que compensou uma parte da queda de fevereiro. Basicamente refletiu a ressaca do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), esse vai e volta", avaliou, referindo-se à decisão do governo de prorrogar novamente a redução do IPI até o final deste ano.

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