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Rossi prefere negociar a recorrer à OMC

Para ministro, decisão em foro internacional pode demorar 'décadas' e é preferível tentar resolver as desavenças diretamente com o concorrente

Célia Froufe / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2010 | 00h00

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, propôs ontem que o agricultor brasileiro negocie diretamente suas desavenças comerciais com os concorrentes e abra mão da intermediação da Organização Mundial do Comércio (OMC). Para ele, o foro internacional demora muito para apresentar soluções.

O ministro garantiu que, com o apoio da presidente eleita, Dilma Rousseff, fará uma campanha para promoção da agricultura no exterior com o objetivo de desconstruir teses "mentirosas" de concorrentes em relação à produção nacional.

Rossi, que assumiu o ministério em maio e permanecerá no próximo governo, orienta os agricultores a deixarem de lado o "discurso da lamentação" e a reagirem para tratar o agronegócio como um "potencial brasileiro". Segundo ele, nem mesmo as queixas em relação à desvalorização do dólar, que torna menos competitivos os produtos brasileiros, deve ser argumento para o setor se acomodar. "Com o câmbio e a logística que temos, estamos quebrando todos os recordes de produção. Imagine quando construirmos um câmbio e uma logística melhores", indagou em entrevista ao Estado.

O ministro está disposto a afastar a visão do produtor que "chora" e o papel de um Estado paternalista para o setor. "Temos de olhar como ganhar mais mercado, aumentar a produção de alimentos, pois o mundo é faminto e isso é uma oportunidade de negócios."

Em suas viagens ao exterior, Rossi disse ter se surpreendido com o desconhecimento sobre a produção brasileira. "Eles ainda acreditam em mitos que foram criados por nossos concorrentes, como trabalho escravo e destruição da Amazônia."

Difamação. O governo pretende deixar claro, por exemplo, que a cana-de-açúcar é cultivada a mais de 2 mil quilômetros de distância da Amazônia e que as relações de trabalho no setor estão avançadas. "Somos a terceira agricultura orgânica do planeta, somos o único país do mundo que tem um programa de apoio à sustentabilidade", mencionou. "O que os concorrentes falavam eram mentiras." Rossi também disse que o Brasil é vítima de uma campanha difamatória dos concorrentes na questão da erradicação da febre aftosa. "O Brasil está livre de febre aftosa, isso é inegável. Não devemos entrar em alegações de concorrentes, que usam pretextos sanitários para razões mercadológicas", argumentou. Para ele, o País apenas será livre quando todo o continente estiver afastado da doença. Atualmente, o governo brasileiro fornece doses da vacina contra a aftosa para a Bolívia, a fim de evitar contaminação do gado doméstico. O ministério estuda estender esse trabalho à Venezuela e ao Equador.

Solução rápida. Ainda em relação às carnes, o Brasil não conseguiu resolver um imbróglio iniciado em maio com os EUA, importador de produto enlatado e que acabou na suspensão dos negócios. As divergências entre os países se dão em relação a limites máximos de vermífugo presente nas carnes. Para Rossi, os americanos estão dificultando a possibilidade de um acordo. Ele, no entanto, se diz otimista mais uma vez e acredita numa "resolução rápida" a partir de agora.

Apesar de ter comemorado a decisão preliminar da OMC de condenar barreiras ao suco de laranja nacional e julgar ilegais as medidas protecionistas dos EUA, ordenando-as que fossem retiradas, o ministro defendeu que os setores agrícolas que se sintam prejudicados na competição mundial tentem um acordo direto com os concorrentes. "Isso é melhor do que uma disputa na OMC, que pode levar uma década."

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