Rotatividade no 1.º tri rebaixou salário de bancários em 54%

Segundo estudo, a redução de postos de trabalho se concentrou nos cargos com melhor remuneração

Gustavo Uribe, da Agência Estado,

16 de junho de 2009 | 15h34

Diante dos efeitos da crise financeira mundial, os bancos nacionais e estrangeiros que operam no Brasil fecharam 1.354 postos de trabalho no primeiro trimestre de 2009, de acordo com estudo elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT). Nos três primeiros meses do ano, o setor bancário demitiu 8.236 funcionários e contratou 6.882.

 

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Segundo o estudo, a redução de postos de trabalho se concentrou nos cargos com melhor remuneração e as admissões foram principalmente de profissionais em início de carreira. Esse movimento representou uma redução média de salários de 54,45% entre os grupos de demitidos e de contratados. Os desligados no primeiro trimestre recebiam remuneração média de R$ 3.939,84. Já os contratados recebem salário médio de R$ 1.794,46.

 

A redução da remuneração também se refletiu no nível médio de escolaridade dos funcionários das empresas financeiras. A maior parte dos desligados (60,04%) tinha educação superior completa. Entre os admitidos, a maior parte tem ensino médio completo e educação superior incompleta (78,1%).

 

"Embora os bancos sejam um dos únicos setores que tiveram lucro durante a crise, eles não se intimidam em reduzir custos com fechamento de postos de trabalho e ainda com a alta rotatividade da mão-de-obra, demitindo bancários com salários mais altos e contratando funcionários com remuneração inferior", diz o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro.

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