Roubini prevê 'tempos difíceis' para países emergentes

A economia brasileira se fortaleceu muito nos últimos anos, mas isso não significa que não sofrerá um impacto negativo com a perspectiva de recessão nos Estados Unidos e seus reflexos sobre a economia mundial. O prognóstico foi feito hoje durante o encontro anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), pelo professor Nouriel Roubini, presidente da consultoria Roubini Global Economics.O Brasil esteve ausente do debate inicial sobre a economia mundial que tradicionalmente abre o fórum todos os anos em Davos, com as atenções voltadas para os Estados Unidos, Europa, China e Índia. Mas ao ser questionado por um jornalista brasileiro se concorda com a tranqüilidade demonstrada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante da crise financeira internacional, Roubini dedicou alguns momentos ao País. "O Brasil e outros países da América Latina fizeram muitas coisas certas", disse Roubini. "Acumulou superávits em conta corrente, regime cambial flutuante, fortaleceu suas reservas, implementou maior austeridade fiscal. A situação hoje é muito diferente do que vimos nas crises de 1999 ou 2002, não existe o mesmo risco."Por outro lado, segundo o economista, houve um pouco de complacência por parte do Brasil. "Não houve apenas a adoção de boas políticas, mas também houve boa sorte." Ele se referiu, por exemplo, à alta dos preços das matérias-primas que fortaleceu a balança comercial brasileira e de outros países emergentes.O economista demonstrou pessimismo com as perspectivas da economia mundial. Segundo ele, uma recessão nos Estados Unidos é uma certeza, como também uma acentuada desaceleração no crescimento do PIB mundial. Isso, segundo ele, vai causar uma queda nos preços das commodities e uma maior aversão ao risco entre os investidores. "Os emergentes vão ter tempos difíceis pela frente", disse.

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