Roubo de carros cai em São Paulo e pode aliviar o preço dos seguros

Número de ocorrências recuou no Estado e entidade estima retração de em média 10% no preço das apólices de seguro; veja como economizar

Bibiana Guaraldi, Especial para O Estado

17 de outubro de 2014 | 07h00

A diminuição de roubos e furtos de veículos em São Paulo neste ano deve trazer um alívio para o bolso dos motoristas - em agosto, houve uma queda de 4,96% no número de ocorrências em relação ao mesmo mês de 2013. Se a tendência persistir, uma estimativa da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) aponta para uma queda média de 10% nos valores das apólices de seguro.

Para Neival Freitas, diretor executivo da FenSeg, a queda dos índices de roubo e furto está relacionada à entrada em vigor, em julho, da lei estadual de desmontagem de veículos, que tornou necessário cadastro no Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP) e na Secretaria da Fazenda para comercializar autopeças. O objetivo da medida é coibir o funcionamento de desmanches irregulares, principal destino de veículos roubados.

Em junho, antes da lei começar a valer, houve 2,5% menos roubos e furtos do que no mesmo período do ano passado. Já no mês de julho, o ritmo de queda cresceu para 5,99%, também na comparação anual.

A lei estadual prevê ainda a criação de um sistema de rastreamento das peças em todas as etapas do desmanche.

Uma lei semelhante de abrangência nacional foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff em maio deste ano e deve entrar em vigor em 2015. Freitas acredita que, se a lei federal provocar resultado parecido ao ocorrido em São Paulo, o desconto pode se estender para o restante do país. "Se esses índices se mantiverem em queda em 2015, as seguradoras deverão ajustar os preços ainda mais para baixo", afirma.

O vice-presidente da FenSeg, Luiz Alberto Pomarole, destaca ainda que as leis de regulamentação de desmanches não são positivas apenas por ajudar a diminuir o índice de roubos, mas também por proporcionar mais segurança aos consumidores, que saberão a procedência exata das peças compradas.

Como economizar. O local de moradia do proprietário e a quantidade de furtos e roubos na região ajudam a formar o preço do seguro. É o que liga a relação entre a criação das novas leis dos desmanches à queda no valor dos seguros. Além disso, os demais sinistros, como o histórico de danos causados aos veículos, entram nessa conta.

Pomarole explica que as seguradoras fazem monitoramento constante dos índices de furto e roubo e reajustam os preços quando identificam uma variação significativa. "O preço é alterado se alguma das variáveis mudar, mas antes é preciso observar por alguns meses, para ter certeza de que é algo concreto".

As análises feitas pelas seguradoras também consideram outras questões, como o perfil do segurado e seu comportamento como motorista. Pessoas mais velhas e casadas podem levar vantagem em relação aos jovens solteiros. "Os hábitos de uso de quem está na faixa de 18 a 25 anos costumam envolver mais exposição noturna do carro, seja para ir a festas ou à faculdade, então o risco é maior. Pessoas casadas também costumam sair menos, então podem conseguir preços melhores", explica Pomarole.

Alguns dos fatores que compõem o preço das apólices são difíceis de mudar, como a idade ou a região de moradia, mas seguindo algumas dicas é possível reduzir o preço pago pelo seguro. Confira: 

1) Pesquise. No mercado de seguros há diversas opções de serviços com preços diferentes. Peça ajuda de um corretor para encontrar a que melhor se encaixa no seu caso. No Brasil, seguros são contratados obrigatoriamente através de corretor, que deve estar credenciado na Superintendência de Seguros Privados (Susep).

2) Antes de assinar o contrato, pense se realmente precisa de todos os serviços que está contratando. Algumas seguradoras oferecem benefícios que vão além dos relacionados ao carro, de descontos em viagens a consertos de eletrodomésticos. É preciso avaliar se vale a pena pagá-lo.

3) Use garagens. Seja em casa ou estacionamentos privados, diminui a chance de roubo, furto e acidentes. Quanto menos o veículo for exposto a riscos, mais baixo o valor do seguro.

4) Mantenha sua seguradora atualizada. Informações sobre o perfil do condutor são levadas em conta ao definir o preço da apólice. Logo, mudanças no estado civil ou endereço do segurado podem fazer a diferença. E não minta para escapar de um possível aumento, pois as seguradoras costumam averiguar a veracidade do que é informado. Se for constatada alguma irregularidade, você pode perder o direito a uma indenização.

5) Bons motoristas pagam menos. "Se o segurado não tiver nenhum sinistro registrado durante o ano, ganha um bônus, que costuma significar desconto na renovação. Algumas seguradoras também dão descontos para quem não tiver pontos na carteira, pois são motoristas que se arriscam menos", explica Pomarole. Ou seja, seguir as leis de trânsito não só evita prejuízos com multas, como pode trazer benefícios. Lembrando que o bônus é cumulativo, e é um direito do cliente, mantido mesmo em troca de seguradora.

6) Não se esqueça de avisar a seguradora sobre as modificações feitas no carro. A instalação de itens se segurança, como rastreadores, pode gerar descontos.

7) Algumas categorias de carros tem maior incidência de sinistros, por isso podem ter seguros mais caros. Pomarole cita como exemplo as picapes com motores a diesel."Veículos com falta de peças de reposição no mercado legal são os mais visados por ladrões, pois há muita procura no mercado paralelo", esclarece.

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