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'Roubo do século' some com 12% do PIB e ameaça quebrar um país inteiro

Segundo informações da BBC, 'sumiço' de 1 US$ bilhão de bancos da Moldávia estaria colocando a pequena nação europeia, espremida entre a Romênia e Ucrânia, sob o risco de quebrar

O Estado de S. Paulo

14 Maio 2015 | 18h55

O "sumiço" de US$ 1 bilhão de bancos tem tirado o sono dos moradores da Moldávia, pequena nação europeia, espremida entre a Romênia e a Ucrânia, que estaria sobre o risco de quebrar.

De acordo com a rede britânica BBC, informações vazadas pelo Banco Central e por uma consultoria revelaram um buraco de US$ 1 bilhão – equivalente a 12% do Produto Interno Bruto (PIB) do país – em três das maiores instituições financeiras da Moldávia, o que muitos no país estariam chamando de o "roubo do século".

O desaparecimento do dinheiro foi notado poucos dias antes das eleições para o Legislativo, em 30 de novembro de 2014, quando três bancos declararam dívidas no valor total do montante.

Segundo a BBC, "ninguém sabe ao certo onde o dinheiro foi parar", pois as dívidas resultaram de empréstimos "misteriosos" concedidos a "obscuros destinatários".

Para evitar, então, a fuga de capitais ou a quebra das instituições envolvidas - Banca de Economii, Unibank e Banca Sociala -, o governo da Moldávia se viu obrigado a regatá-las, injetando nelas US$ 870 milhões.

A dimensão do escândalo em um país de apenas 4 milhões de habitantes, conta a BBC, foi resumida pelo representante da União Europeia na Moldávia, Pirkka Tapiol. "É inexplicável! Como podem roubar uma soma tão grande de um país tão pequeno?"

Como foi possível? Um dos grandes empresários do país do leste europeu, Ilan Shor, 28, estaria no centro do escândalo. A consultoria Kroll diz que o grupo empresarial de Shor seria "um dos beneficiados, se não o único" da movimentação bancária ocorrida.

Entre 2012 e 2014, o empresário, que estaria em prisão domiciliar, e outros acusados adquiriram o controle sobre as três instituições financeiras. De acordo com a consultoria, logo em seguida das aquisições, houve uma série de empréstimos ao grupo de Shor, o que, em outras palavras, representava que o empresário estaria emprestando dinheiro a si mesmo e a seus negócios.

Apenas no caso do Unibank, por exemplo, os empréstimos recebidos pelas empresas aumentaram 150% em seis meses, afirma a BBC. Em novembro de 2014, teriam sido feitos os empréstimos de US$ 1 bilhão que acabaram em destinos desconhecidos, provavelmente em paraísos fiscais.

No relatório da Kroll consta que não será fácil localizar o dinheiro, porque os registros de muitas transações foram eliminados dos sistemas de computador e de arquivos físicos dos bancos de forma "suspeita".

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Apenas no caso do Unibank, por exemplo, os empréstimos recebidos pelas empresas aumentaram 150% em seis meses
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A grande questão do escândalo, porém, é que a economia do país está abalada com o caso, conta a BBC. Após o resgate do governo aos bancos, a dívida do país aumentou para US$ 1,7 bilhão e sua moeda se desvalorizou 42% desde novembro.

Somado a isso, há ainda um embargo a produtos agrícolas do país pela Rússia, o que, junto do buraco deixado pelo desaparecimento do dinheiro, fará com que o PIB do País caia 1% em 2015, depois de ter crescido mais de 4% em 2014.

Sem perspectiva. À agência AFP, o presidente da associação de banqueiros da Moldávia, Dumitru Ursu, afirmou que não é expectativa de se recuperar 100% do dinheiro.

Não por acaso, 40 mil pessoas participaram de um protesto na capital do País, Chisinau, há uma semana, pedindo novas eleições e que os protagonistas do golpe bancário sejam presos.

 

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