Roupa fabricada sem exploração de trabalhador será mais cara

Rede varejista americana anuncia lançamento de vestuário certificado pelas regras do comércio justo

Economia & Negócios,

24 de outubro de 2013 | 17h20

SÃO PAULO - Seguindo a tendência dos chocolates e cafés politicamente corretos, a rede americana Patagônia acaba de se tornar a primeira grande varejista de vestuário a atuar no comércio justo de roupas. Mas os clientes vão precisar pagar mais para comprar peças com a certeza de que elas foram produzidas sem exploração dos trabalhadores.

A Patagônia anunciou que seus produtos serão certificados pela Fair Trade dos Estados Unidos, uma organização sem fins lucrativos que lidera o mercado de certificação de produtos de terceiros no chamado comércio justo.

As roupas certificado da empresa vão começar com uma linha estilo yoga disponíveis no início de 2014.

Políticamente correta. Para Patagonia, com sede em Ventura, na Califórnia, as roupas certificadas terão mercado garantido pelo interesse das pessoas em colaborar com melhores condições sociais no planeta.

As companhias podem se orgulhar da sua atuação nas áreas social e ambiental, de acordo com Jennifer Black, especialista em varejo e presidente da Jennifer Black e Associates. "É definitivamente um esforço genuíno, porque eles já têm a imagem positiva perante o público do seu mercado-alvo", disse Black. "Eles são provavelmente uma das poucas empresas que eu gostaria de dizer que respeito",

Em novembro de 2011, a empresa atraiu considerável atenção quando publicou uma propaganda na qual anunciava: "Não compre esta jaqueta". O anúncio, reiterado em outdoors da empresa e e-mails a clientes, solicitava que os clientes não comprassem roupas Patagônia, a menos que eles realmente precisassem, levando em conta os recursos necessários para a sua fabricação.

Lançado em 1992, em Carlsbad, na Califórnia, a PrAna é outra empresa que oferece roupas certificadas pela Fair Trade, mas a Patagônia tem a força da marca para atrair a atenção dos clientes, especialmente os mais jovens.

Geração Y. Black diz que a chamada 'geração Y' ou 'geração do milênio', que normalmente descreve as pessoas nascidas na década de 1980 até o início de 2000, buscam experiências de valor nas suas compras.

Dan Schawbel, fundador da Millennial Branding, disse que a geração milênio tende a ser conservadora quando se trata de gastar e poupar dinheiro. "Os produtos que lhes dão um retorno para seus investimentos são mais atraentes para eles".

Além de monitorar o processo de fabricação dos produtos com ajuda da certificadora Fair Trade com base em normas sociais e ambientais, a Patagonia garante que os trabalhadores vão "ter uma voz e ganhar um salário justo."

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