RS permite entrada de aves e suínos de produtores integrados

Técnicos de sanidade animal e representantes do setor produtivo do Rio Grande do Sul decidiram permitir a entrada, no Estado, de aves e suínos procedentes de produtores integrados de Santa Catarina. O ingresso de bovinos, carnes in natura e derivados de origem animal de outros Estados continua proibido. A medida foi adotada para prevenir potenciais riscos de exposição ao vírus da aftosa, depois que foi confirmado um foco da doença em Eldorado (MS).O diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos (Sips), Rogério Kerber explicou que os suínos têm uma criação diferenciada, com controle e assistência técnica permanente, o que motivou a liberação destas cargas.Em Santa Catarina, a proibição é mais abrangente. O governo catarinense interditou toda a entrada de animais, produtos, subprodutos de origem animal e materiais de multiplicação animal originários de Estados ao norte de sua divisa. Também proibiu o ingresso de grãos e frutas vindos dos municípios de Eldorado, Itaquiraí, Iguatemi, Japorã e Mundo Novo, todos em Mato Grosso do Sul.O vice-presidente da Federação da Agricultura de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri, lembrou que o Estado não vacina o rebanho contra a febre aftosa e, por isso, não pode correr riscos. Conforme o dirigente, que participou da reunião, "não há hipótese" de Santa Catarina voltar a vacinar o rebanho.O presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, criticou o governo federal pelo contingenciamento de verbas para a defesa sanitária e prometeu ingressar com uma representação contra o Ministério da Agricultura - sem detalhar que tipo de medida seria - questionando a retenção de recursos. Sperotto disse que a possível retirada da vacinação do rebanho gaúcho seria discutida em breve no Estado, mas agora o assunto deve ficar em suspenso.A decisão da cadeia produtiva gaúcha com técnicos de sanidade animal não foi unânime. O diretor do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados (Sicadergs), José Alfredo Knorr, defendeu a proibição de todos os animais e produtos. "O Mapa está garantindo que este risco não existe", reproduziu Knorr, ao final da reunião.O diretor técnico do Ministério da Agricultura no Rio Grande do Sul, José Severo, disse que a entrada de suínos e aves de produtores integrados não aumenta o risco de exposição à aftosa. Ele lembrou que as aves não transmitem a doença e os suínos são criados com controle rigoroso. Algumas indústrias queriam liberar a entrada de carne bovina sem osso procedente de outros Estados. Severo disse que será feita uma consulta ao Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) sobre esta possibilidade.Além de três barreiras fixas, outras três móveis estão atuando na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, na fiscalização das cargas. Normalmente, há apenas três pontos de controle. Os produtos industrializados não são afetados pela restrição, explicou Severo.

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