coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

RS quer declaração do Mapa de que foco de Newcastle está encerrado

O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB), vai pedir nesta terça-feira ao ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, para que o órgão declare encerrado o foco de Newcastle detectado em uma criação doméstica de frangos de Vale Real (RS). A intervenção do governador foi solicitada na tarde desta terça pela diretoria da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), em audiência com Rigotto na Expointer (Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários), em Esteio (RS). "Ainda não conseguimos superar todas as repercussões do foco", relatou o presidente da Asgav, Aristides Vogt, ao governador. Depois que o caso de Newcastle for declarado encerrado, o mercado japonês será reaberto em três meses e o russo, em seis meses. Para o Japão, o embargo vale na área de dez quilômetros ao redor do foco. A Rússia suspendeu as compras do Estado inteiro. O setor espera que Guedes anuncie a retomada do status sanitário do Estado como livre de Newcastle durante sua visita à Expointer, nesta quinta e sexta-feira. O pedido para encerrar o foco foi feito com base em nota divulgada pela superintendência do Ministério da Agricultura (Mapa) no Estado. A nota informa que o resultado da sorologia realizada nas aves sentinelas foi negativo para Newcastle. Foram visitadas 1.741 propriedades rurais na área de vigilância, das quais 906 possuem aves de susbsistência. Em nenhuma delas foi constatada mortalidade de aves, diz a nota. Na área de proteção (a três quilômetros do foco), todas as propriedades foram avaliadas e não houve registro de mortalidade."Já que foi comprovado que não temos nada de foco, é importante sair o quanto antes (a declaração)", disse Rigotto. O foco foi confirmado em exames de laboratório que identificaram o vírus no dia 4 de julho. A propriedade tinha 44 frangos, sendo que 16 deles morreram e os demais foram abatidos. As aves doentes apresentaram andar cambaleante e prostração, entre outros sintomas. Santa CatarinaO secretário da Fazenda e Agricultura de Santa Catarina, Felipe Luz, disse nesta terça que o Estado não deve autorizar a entrada de aves vivas, como pedem as indústrias do Rio Grande do Sul. "Acho que o trânsito de aves vivas não deve ocorrer", avaliou, para preservar as medidas de regionalização da avicultura. Luz observou que a análise caberá à área técnica, mas disse que a tendência é de manter a restrição. A Asgav pediu nesta terça a interferência do governador Germano Rigotto (PMDB) junto ao secretário Felipe Luz para solicitar a entrada de aves de recria no Estado vizinho. Luz deixará a Secretaria da Agricultura e ficará apenas à frente da Fazenda, assim que for nomeado seu substituto.ExportaçõesAs exportações de carne de frango do Rio Grande do Sul diminuíram 7,85% em volume no período de janeiro a julho deste ano, ante 2005, para 363 mil toneladas, informou nesta terça a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav). Em receita, houve redução de 4,94% neste período, para US$ 404 milhões. Conforme o presidente da Asgav, Aristides Vogt, no começo do ano houve o efeito da gripe aviária no mercado europeu, que prejudicou as vendas. A ocorrência de Newcastle no Rio Grande do Sul gerou pouco efeito, porque as indústrias passaram a exportar a partir de outras unidades fora da área que sofreu embargo, explicou ele. Este foi o caso da Doux Frangosul, que usou a matriz francesa para fornecer à Rússia, já que o país suspendeu as compras do Rio Grande do Sul. No mercado brasileiro, a venda de carne de frango produzida no Rio Grande do Sul também recuou, em 33%, para 45 mil toneladas, de janeiro a julho. O resultado foi um pouco melhor no mercado gaúcho, onde as vendas caíram 8,45%, para 84 mil toneladas. A partir de junho, as indústrias passaram a contar com uma vantagem decorrente da recusa do Estado em aceitar créditos fiscais da produção vinda de fora. Isso melhorou as condições de competição, disse Vogt. No total, as indústrias gaúchas comercializaram 493 mil toneladas de carne de frango de janeiro a julho, com queda de 11,09% ante o resultado de 2005. O alojamento de pintos de corte também diminuiu (15%), como parte da estratégia do setor para adaptar a oferta ao mercado. Foram abatidos 341 milhões de aves (- 11%).

Agencia Estado,

29 de agosto de 2006 | 19h36

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.