DIida Sampaio|Estadão
DIida Sampaio|Estadão

Rumo ainda não recebeu oferta vinculante pela Malha Sul

A gigante chinesa CCC mira o setor ferroviário brasileiro e disputa a concessão de um trecho de 2.039 km dentro do Estado de São Paulo

Renée Pereira e Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2017 | 08h41

A Rumo está conduzindo estudos e avaliando as oportunidades dentro do seu plano de negócios, mas ainda não recebeu qualquer oferta vinculante por sua participação na Malha Sul, informou a empresa de concessões de logística na noite de quinta-feira, 1. 

O comunicado foi enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em resposta à reportagem de quarta-feira publicada pelo Estado de que a chinesa CCCC teria interesse em uma fatia de 55 a 60% da Malha Sul, embora não descartasse tornar-se acionista minoritária caso a Rumo recusasse abrir mão do controle da concessão.

Depois de adquirir a Concremat Engenharia e o projeto portuário de São Luís, no Maranhão, a gigante chinesa CCCC mira o setor ferroviário. Para fechar o negócio com a Rumo, um exército de profissionais da CCCC está trabalhando num processo de “due diligence” (auditoria) para avaliar as necessidades de investimentos na infraestrutura, que engloba os três Estados da região Sul. A proposta inicial envolve um aporte de R$ 2 bilhões e investimentos da ordem de R$ 6 bilhões num período de dez anos.

Mas não se trata de uma negociação fácil. A chinesa, que no Brasil é representada pelo Banco Modal, tem concorrência de peso na disputa pela concessão ferroviária. No páreo, estão as japonesas Mitsubishi e Sumitomo, de acordo com pessoas familiarizadas com as negociações. Todas as três empresas estão conversando separadamente com a Rumo, que está sendo assessorada pelo Bank of America Merrill Lynch. Além disso, a venda de participação da ferrovia estaria atrelada ao processo de renovação da concessão da Malha Paulista.

O apetite da gigante chinesa no Brasil, entretanto, não se restringe à Malha Sul. A empresa também negocia a entrada no consórcio que quer construir a Ferrogrão, uma ferrovia de quase mil quilômetros de trilhos e R$ 8 bilhões de investimentos. O projeto, idealizado por grandes produtores, como Maggi, ADM, Bunge, Cargill e Dreyfus, está em fase de audiências públicas e depois deverá ser encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU). As ferrovias Norte Sul, Oeste Leste e Transnordestina também estão no radar da chinesa./COM REUTERS

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