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Rumo ao sul e de volta à lavoura

Há quatro anos, a auxiliar administrativa da Diretoria de Cultura de Itiruçu, Roseli Reis Ramos, de 38 anos, economiza parte do salário para passar as férias em Joinville (SC), para onde suas três irmãs se mudaram nos últimos anos.

O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2013 | 02h09

Este ano, porém, Roseli não viajou. Está esperando as irmãs, que voltam à cidade em julho para visitar a mãe, de 62 anos. Enquanto o reencontro não ocorre, Roseli mata a saudade pelas redes sociais. "Falo com elas todos os dias", conta.

Sem perspectiva de crescimento profissional na cidade, as irmãs de Roseli foram deixando Itiruçu com o surgimento das oportunidades em Joinville. O processo começou há cinco anos, quando um cunhado dela foi para a cidade catarinense e começou a trabalhar como segurança nos Correios.

Roseli também chegou a ir para a cidade, em 2009, e passou seis meses, mas decidiu voltar. "Estava preocupada com minha mãe", lembra.

A realidade da família Reis é comum na cidade. José Antônio Prado, de 34 anos, por exemplo, já participou de três temporadas de colheitas em São Paulo e Paraná. Este ano, foi quem ficou para cuidar da mãe, de 53 anos, dando oportunidade aos dois irmãos que ainda moram na cidade.

Maracujá. Foram oito anos em serviços temporários nas lavouras do interior de São Paulo até que a possibilidade de conseguir viver na cidade natal, Lagoa Real (BA), aparecesse. E a mudança veio rápida para o agricultor Nivaldo José de Almeida, 35 anos, apesar da seca na região.

Há dois anos, após a perfuração de um poço em sua pequena propriedade, de 12 hectares, Almeida apostou na cultura de maracujá para diversificar a pequena produção e tentar ganhos maiores.

Bastou a primeira colheita para ele descobrir que havia acertado na escolha. "Plantei meio hectare de maracujá e colhi 36 toneladas", lembra o agricultor. "Com o preço da fruta a R$ 2,70 o quilo, foi muito vantajoso." Com os ganhos, Almeida conseguiu erguer uma casa no terreno, comprou carro e moto.

Até o secretário de Agricultura do município, Valdemir Soares Martins, está animado com a cultura do maracujá. "Já limpei um terreno na minha roça para plantar", conta o secretário, que tem uma propriedade na qual cria gado, porcos e galinhas.

"Quero aplicar meus conhecimentos técnicos a essa nova cultura e disseminar as melhores práticas do cultivo", acrescenta. / T.D.

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