Rumo dos negócios depende de reação dos EUA

A maneira como os Estados Unidos vão reagir aos ataques terroristas continua no foco de atenções dos investidores. Os analistas acreditam que um conflito entre os Estados Unidos e o Afeganistão provocaria um impacto menor sobre a economia mundial. Mas, se os conflitos forem ampliados e a guerra incluir outros países islâmicos, as conseqüência para o ritmo econômico dos países são imensuráveis.O primeiro passo nesta guerra foi o pedido do governo norte-americano para que o regime Taleban, que governa o Afeganistão, entregasse o saudita Osama Bin Laden, acusado de responsável pelos atentados em Nova York e Washington na semana passada. Há pouco, segundo informações da Dow Jones, um encontro realizado entre os cléricos afegãos foi concluído sem um acordo. Os participantes voltam a se reunir amanhã e devem definir se entregam Bin Laden ou se declaram guerra santa.O fato é que os Estados Unidos já começaram a se preparar para a guerra. De acordo com apuração do correspondente Paulo Sotero, o presidente norte-americano, George W. Bush, firmou ontem uma resolução do Congresso autorizando o uso da força militar contra os responsáveis pelos atentados terroristas e autorizou uma lei liberando R$ 40 bilhões para as vítimas da tragédia. O comando militar do país instruiu os cerca de 35 mil participantes das forças especiais da Marinha, Exército e Aeronáutica a usarem os próximos dias para cuidar de assuntos pessoais - como escrever ou atualizar testamentos - e se prepararem para entrar em ação. Para os analistas, estes são sinais de que o início da guerra está muito próximo.Guerra: impactos econômicosO desaquecimento mais forte da economia norte-americana, com risco de recessão, pode impor um ritmo muito lento para a atividade econômica mundial. Antes dos ataques terroristas, já havia este risco. Com uma guerra, as chances de que isso aconteça são ainda maiores, pois as pessoas tendem a diminuir o consumo em um período de conflitos militares, dadas as incertezas. O mercado consumidor norte-americano é hoje responsável por 70% da economia do país.O governo dos Estados Unidos vem usando várias armas para evitar esta retração do consumo. Uma delas foi a redução da taxa de juros de 3,5% para 3,0% ao ano. Além disso, valendo-se do espírito patriótico que dominou ainda mais o país depois dos atentados, o governo vem pedindo que as pessoas voltem a consumir e contribuam para o reaquecimento econômico.Resta saber qual será a resposta da população. Vale lembrar que 60% da poupança dos norte-americanos está alocada no mercado de ações. Com as seguidas quedas das Bolsas de Nova York, a população sente-se cada vez mais empobrecida e pode não ter uma resposta tão favorável ao governo neste sentido. O índice de confiança do consumidor, que será divulgado no próximo dia 25, deve trazer uma idéia mais clara sobre isso.Argentina: outro foco de preocupaçãoCom a proximidade das eleições parlamentares na Argentina, em 14 de outubro, a situação do país vizinho volta a influenciar as análises sobre as perspectivas para o Brasil. O novo cenário, depois dos atentados terroristas aos Estados Unidos, deixou a situação argentina ainda mais complicada, já que os investidores tendem a tirar recursos de países emergentes, leia-se risco, e alocá-los em aplicações mais seguras, como o ouro e os títulos da dívida do governo norte-americano.Segundo apuração do correspondente Fábio Alves, a agência de classificação de risco Moody´s já não discute mais a probabilidade de default (calote da dívida) na Argentina, mas sim a escala e severidade das perdas aos investidores causadas por esta situação. Para o Brasil, em um primeiro momento, a saída de recursos estrangeiros deve aprofundar-se com um possível calote argentino, o que deve pressionar ainda mais as cotações do dólar. O País precisa de US$ 50 bilhões para fechar suas contas no próximo ano e o desaquecimento econômico mundial já dificultaria a captação de dólares no exterior. A crise na Argentina vem piorar esta perspectiva.Veja como está o mercado financeiroHoje o Comitê de Política Monetária (Copom) divulga, após o fechamento dos mercados, sua decisão sobre a taxa básica de juros, a Selic. A expectativa dos analistas é de manutenção da taxa em 19% ao ano (veja mais informações no link abaixo). No início desta manhã, os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagam juros de 23,380% ao ano, frente a 23,540% ao ano ontem. O dólar comercial para venda está cotado a R$ 2,7020, com alta de 0,30%. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) está em alta de 1,48%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - registra queda de 0,17%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - opera com alta de 0,12%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e o prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

19 de setembro de 2001 | 11h01

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.