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Rumo negocia com o governo federal estender prazo de concessão da ALL

Argumento do grupo Cosan é que o retorno dos investimentos que precisam ser feitos na nova companhia, criada a partir da incorporação da ferrovia, não virá antes do vencimento das concessões; aportes da Rumo poderão chegar a R$ 10 bilhões

Mônica Scaramuzzo e Mônica Ciarelli, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2014 | 02h08

A Rumo Logística, controlada pelo grupo Cosan, deu início a conversas com o governo federal para estender o prazo de concessão das malhas da América Latina Logística (ALL), que vencem entre 2026 e 2028, apurou o 'Estado'. As discussões vão ganhar corpo assim que a companhia concluir o processo de incorporação da ferrovia.

O argumento da Rumo é que para fazer os aportes que serão exigidos na nova companhia, que será criada com a incorporação da ALL, seria necessário estender a concessão para que o grupo possa obter o retorno do investimento que será feito na malha ferroviária.

As conversas entre a Rumo e a ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre) já começaram com consultas informais, segundo fontes ligadas ao governo, e deverão seguir adiante assim que a operação for aprovada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Procurada, a Cosan não comenta o assunto.

Durante as conversas com o governo, a Rumo, controlada pela Cosan, apresentou proposta bilionária de investimento na ferrovia. O orçamento ainda não foi totalmente definido, mas deve ficar próximo de R$ 10 bilhões para os próximos anos.

Não houve no governo sinal de objeção durante essas discussões para estender o prazo das concessões. "A extensão do prazo é factível, considerando que a nova companhia pretende fazer investimentos e tem pela frente um curto período até o fim da concessão", disse uma fonte ligada ao governo.

A ALL opera quatro concessões: a malha sul, que expira em 2027; a malha paulista, que vence em 2028, e é considerada a mais estratégica porque vai até o Porto de Santos; a malha norte, com prazo até 2079, além da malha oeste, até 2026. Juntas, essas malhas somam cerca de 13 mil quilômetros.

No ano passado, o governo federal chegou a ameaçar tirar a concessão da ALL, cedida nos anos 90, após receber inúmeras reclamações de má prestação de serviço aos clientes pela companhia.

As negociações para a entrada do grupo comandado por Rubens Ometto Silveira Mello na companhia férrea foram vistas com bons olhos pelo governo, uma vez que a mudança de gestão no grupo dará maior dinamismo aos negócios da empresa.

Acordo. O acordo para a incorporação da ALL pela Rumo depende da aprovação de todos os acionistas. Os fundos de pensão Previ (Fundo de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil) e Funcef (da Caixa Econômica Federal), além do BRZ (que tem como cotistas Funcef, Petros, Postalis, Forluz e Valia), devem dar seu aval até terça-feira. A Previ, que era considerada a mais resistente ao acordo, vê a proposta do grupo Cosan com "um viés positivo", segundo fontes ouvidas pela Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. A Funcef deverá também dar seu aval até no máximo terça-feira.

Na terça-feira, os acionistas da ALL devem bater o martelo sobre a aprovação do acordo. Se aprovada pelos acionistas, a proposta terá 30 dias para ser levada para assembleia. A expectativa de que o acordo seja aprovado é tão grande que as companhias planejam fazer coletiva com a imprensa quarta-feira.

Pela proposta da Cosan, a Rumo fica com 27,4%, controladora da nova companhia. Somados seus acionistas - TPG e Gávea, sobe para 36,5%. Os 63,5% restantes ficam com os acionistas da ALL e mercado. Mas um acordo entre a Rumo e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) garantirá ao grupo Cosan uma fatia de 44%. Paralelamente, as duas empresas, Rumo e ALL, travam uma briga na Justiça para discutir o contrato de fornecimento de açúcar, firmado entre as duas empresas em 2009. A expectativa é de que o litígio se encerre assim que a fusão for fechada.

Nos bastidores, a Cosan já está preparando a sucessão dos principais executivos que compõem a companhia. A ideia é dar maior dinamismo à gestão da ferrovia, considerada travada pelos futuros controladores e mercado.

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