Alan Santos/PR
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Rumo paga R$ 5,1 bi e abre caminho para investimentos no setor ferroviário

Com antecipação de outorgas ao governo federal, empresa vai ter economia anual com juros de R$ 650 milhões; ministro da Infraestrutura disse que ação mostra confiança da Rumo no projeto da pasta

Cristian Favaro e Beth Moreira, O Estado de S. Paulo

16 de setembro de 2020 | 05h00

Com o bom momento para as commodities agrícolas brasileiras, a empresa de logística Rumo anunciou ontem a antecipação de R$ 5,1 bilhões em outorgas de suas subsidiárias Malha Paulista e Rumo Malha Central. O movimento era esperado pelo mercado, mas foi visto como positivo por analistas. A antecipação se refere a pagamentos que seriam feitos até 2038.

Em evento realizado ontem, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, apontou que a decisão da Rumo demonstra a confiança no projeto ferroviário do governo. “Empresa nenhuma faria isso sem confiar no projeto”, disse. O governo não deu desconto pelo pagamento antecipado.

O presidente da Rumo, João Alberto de Abreu, disse que a operação confirma o compromisso da Rumo com os contratos. “Houve época em que existia débito de outorga. Isso foi sanado na renovação da Malha Paulista. Hoje, fazemos antecipação”, disse. O executivo lembrou a economia de R$ 650 milhões que a antecipação vai trazer por ano à empresa, com o abatimento de juros. 

A companhia levantou R$ 6,4 bilhões com uma oferta subsequente de ações, no mês passado, o que deu sustentação para a antecipação. 

Economia com juros

De acordo com o analista do Itaú BBA, André Hachem, a Rumo já tinha sinalizado ao mercado a intenção de fazer esse pagamento antecipado. “O racional aqui é relativamente simples. O custo para a Rumo levantar capital com o mercado era menor do que o custo de outorga. Ou seja: ao trocar o custo de outorga por um custo de capital, está gerando valor”, disse, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

Hachem disse que a empresa está em um momento positivo, sobretudo por causa da desvalorização do real frente ao dólar, que ajudou a sustentar a demanda por commodities agrícolas, beneficiou a exportação e, por consequência, fez crescer a demanda por transporte. O lucro líquido da empresa foi de R$ 405 milhões no segundo trimestre de 2020, aumento de 118% na comparação anual.

“O único ponto que vale lembrar é que, com o asfaltamento da BR-163, no ano passado, estamos vendo uma relevância muito maior dos portos do Arco Norte, principalmente em Santarém e Vila do Conde”, disse o executivo, sinalizando uma nova concorrente e lembrando que a rodovia ainda não recebeu pedágios.

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