Rumores de emissão de eurobônus elevam bolsas

Em Paris, alta chegou a 5,46%, com especulações sobre acordo entre França e Alemanha para criação de títulos entre os seis países AAA da zona do euro

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2011 | 03h05

A possibilidade cada vez mais concreta de criação dos eurobônus restritos para os países AAA da zona do euro voltou ontem ao centro das discussões no meio político e nos mercados financeiros da Europa.

Segundo o jornal alemão Die Welt, Alemanha, França, Holanda, Finlândia, Áustria e Luxemburgo estão de fato planejando a emissão de obrigações conjuntas, que protegeriam suas dívidas, mas também poderiam ser usadas no socorro a outros países que adotam a moeda única.

A informação foi vazada há duas semanas e agora voltou com força - apesar dos desmentidos de Berlim -, animando as bolsas, que chegaram a subir mais de 5%.

Os rumores sobre um acordo encaminhado entre Alemanha e França a respeito das reformas na zona do euro vêm crescendo nos últimos dias, na expectativa da reunião de chefes de Estado e de governo da União Europeia, marcada para o dia 9 de dezembro, em Bruxelas. Nessa cúpula, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, devem anunciar um novo pacote de medidas para aumentar a integração econômica na área da moeda única.

Entre as ações previstas está a criação de sanções para os países que gerenciarem mal as finanças públicas. A principal medida em estudo na União Europeia, porém, seria a emissão de eurobônus pelos países que são classificados pelas agências de risco com a nota AAA. "Seria um clube seleto, que aceitaria novos compromissos fiscais e deixaria pelo caminho os países mais frágeis do bloco", entende Daniel Cohen, professor da Escola de Economia de Paris.

Pressão. Outra especulação seria a hipótese de que a chanceler da Alemanha ceda e aceite uma maior intervenção do Banco Central Europeu (BCE) nos mercados de títulos soberanos, como Sarkozy prega.

"Há muitos rumores. Berlim, em especial, estaria pronta a autorizar o BCE a desemprenhar um papel mais importante para julgar a crise em troca de garantias sobre o rigor fiscal", disse Eric Hassid, analista da consultoria Aurel BGC.

Ainda segundo os investidores, a mudança de posição da Alemanha teria acontecido pelo suposto início de contágio do país pela crise. Na semana passada, Berlim não conseguiu captar os € 6 bilhões em títulos de dívida soberana que pretendia negociar - a demanda ficou em apenas 3,9 bilhões.

Se for confirmada, a criação dos eurobônus pode ajudar a Itália, que vem pagando no mercado juros mais altos para se refinanciar. Ontem, Roma captou € 567 milhões no mercado de obrigações em troca de títulos com validade até 2023. A taxa de rendimento oferecida foi de 7,3%, ante 4,6% da última operação do gênero.

Em razão da pressão no mercado, segundo o jornal La Stampa, o governo do primeiro-ministro Mario Monti estaria em negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) por um empréstimo preventivo de € 400 bilhões a € 600 bilhões. A informação, porém, foi desmentida em Roma e em Washington.

Mercados. O resultado da segunda-feira de especulações foram grandes altas nos mercados financeiros da Europa.

Em Londres, o índice FTSE 100 ganhou 2,86%; em Frankfurt, o DAX subiu 4,6%; e em Paris, o CAC40 alcançou 5,46%.

A sessão positiva também contaminou o mercado em Nova York, onde o Índice Dow Jones e o Nasdaq ganhavam 2,24% e 3,06% no início da noite de ontem, respectivamente.

No Brasil, o Ibovespa fechou em alta de 2,05%. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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