Rumos da economia brasileira podem mudar, afirma Fraga

O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, admitiu hoje, que os fundamentos da economia brasileira são bons. "Eles estão bem, no caminho certo. Mas isso pode mudar", afirmou. Para os próximos cinco meses, até as eleições, o Banco Central não deve trazer nenhuma surpresa. Fraga também não cogita aumentar a oferta de título cambial."A administração da dívida pública, da taxa de juros, da política de liquidez em geral faz parte do nosso arsenal. A questão dos títulos cambiais é da família da intervenção, o que não se faz todo dia, o equivalente ao uso da cortisona na medicina. Você não dá cortisona para o paciente todo dia. Quando for a hora a gente dá. Mas em princípio não?, disse ele nesta manhã ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo.Risco ArgentinaFraga admitiu que o que o deixa preocupado neste período pré-eleitoral é a falta de coerência por parte dos candidatos. "É muito comum, durante uma campanha eleitoral, os candidatos prometerem tudo, falarem do bem, dando a impressão de que tudo é viável ao mesmo tempo e já. Isso, infelizmente, não é verdade", disse Fraga, para quem a receita do crescimento está no investimento na educação, no sistema financeiro bem capitalizado e no aumento da produtividade.O receio que paira no ar com relação ao Brasil, segundo ele, é que, por falta de entendimento, o País entre numa trajetória que dê pequenos passos na direção errada, como a Argentina. "Há cinco anos a Argentina era a primeira da turma, ganhava as melhores notas e a coisa foi caminhando na direção errada, numa seqüência meio perversa, e deu no que deu". Para o presidente do Banco Central, o risco do Brasil se transformar em uma Argentina é remoto. "Mas esse risco sempre existe", afirmou.Queda dos jurosSegundo ele, se a queda da inflação for confirmada, o BC vai cortar os juros. "A taxa de juros faz parte do nosso arsenal para examinar a trajetória da inflação e buscar atingir as nossas metas, no prazo adequado. O nível de atividade é uma variável muito importante. Se essa desaceleração, que ainda não se confirmou, mas é real, se isso se confirmar e espelhar uma taxa de inflação mais baixa, nós poderemos cortar", afirmou. "A inflação, tudo indica, cairá. É nisso que estamos de olho. Se ele cair.O presidente do BC disse acreditar que o período pré-eleitoral poderá reduzir um pouco os investimentos estrangeiros. Ele lembrou, no entanto, que as empresas interessadas nesse tipo de investimento pensam num horizonte de dez anos. "Não creio que o impacto seja muito grande, a não ser que aconteça algo muito estranho", afirmou Fraga.Para ele, o Congresso Nacional deveria votar o mais rápido possível a proposta de emenda constitucional que prorroga a CPMF. "A sensação que se tem é que o ambiente no Congresso está muito nervoso, beirando, às vezes, um certo caos, e as coisas importantes das quais depende o futuro do País ficam lá aguardando e nós aqui procurando formas de cobrir isso com medidas custosas, desagradáveis. Seria muito melhor que eles votassem rápido", afirmou.

Agencia Estado,

13 de maio de 2002 | 08h53

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