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Renato Cruz
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Ruptura e continuidade

A Apple apresentou novos modelos de iPhone na terça-feira. O mercado não recebeu bem o iPhone 5S e o iPhone 5C (pela primeira vez, a companhia fez dois lançamentos simultâneos). De lá para cá, suas ações acumularam perda de 8%. Para o mercado em geral, não foram dias ruins. A bolsa eletrônica Nasdaq, onde os papéis da Apple estão listados, subiu 0,4%.

Renato Cruz,

15 de setembro de 2013 | 02h18

Em quatro dias, a fabricante do iPad perdeu US$ 37,5 bilhões em valor de mercado. Pode não parecer grande coisa para uma empresa que vale US$ 422,3 bilhões, mas é mais do que a fortuna de Charles Koch, que está em sexto lugar na lista de bilionários da Forbes, com US$ 34 bilhões.

Mas por que os investidores reagiram mal? O iPhone 5S não trouxe grandes novidades. Ele tem processador e tela melhores que o modelo anterior, o iPhone 5, e vem com leitor de impressão digital, que o outro não tinha. A principal novidade foi uma terceira opção de cor, "ouro", além dos tradicionais branco e preto.

A decepção maior, no entanto, foi o iPhone 5C. Os rumores falavam em um celular mais barato, popular, para atacar os mercados emergentes. Não foi nada disso. O iPhone 5C tem carcaça de plástico (no lugar do alumínio do modelo topo de linha), em cinco opções de cores. Seu preço sem subsídios, nos Estados Unidos, ficou em US$ 550, comparados a US$ 650 do iPhone 5S, a opção para quem tem dinheiro.

Por dentro, o iPhone 5C é praticamente igual ao iPhone 5. Tanto que a Apple decidiu tirar o iPhone 5 do mercado. Se não tivesse lançado o 5C, provavelmente teria mantido o iPhone 5, baixando o preço dele para US$ 550. Ou seja, a empresa não vai buscar uma nova fatia de consumidores com o lançamento. Ela vai melhorar sua margem, já que a carcaça de plástico deve ser bem mais barata (para a Apple) que a de alumínio. A não ser que ela baixe rápido o preço do 5C, o iPhone barato continua sendo uma promessa.

A Apple está devendo um produto de ruptura, como foi o iPad, o iPhone e o iPod, colocados no mercado pelo seu fundador Steve Jobs. O que a empresa vem lançando ultimamente são melhorias e variações dos produtos existentes. Seu televisor - que já aparecia na biografia de Jobs assinada por Walter Isaacson como o próximo produto revolucionário - ainda não viu a luz do dia.

A rival Samsung saiu na frente e lançou um relógio inteligente, o Galaxy Gear. O smartwatch não foi muito bem recebido pelos analistas, e, historicamente, a Apple não tem sido destaque pelo pioneirismo (já havia tocadores de música digital antes do iPod e smartphones antes do iPhone). O problema é que os rumores sobre o iWatch, relógio inteligente da Apple, apareceram muito antes do que aqueles sobre o Galaxy Gear. A impressão que fica é que a empresa do Vale do Silício enfrenta problemas para colocar novidades no mercado.

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