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Ruralistas ameaçam bloquear rodovias na Argentina

Os produtores rurais da Argentina prosseguem hoje com a paralisação, iniciada na última sexta-feira, contra as políticas do governo de Cristina Kirchner e para reivindicar soluções para os problemas do setor, especialmente os provocados pela forte estiagem. Depois de um fim de semana de assembleias em diferentes partes do país e de vários piquetes, os produtores podem acirrar o protesto com bloqueios de rodovias, como ameaçam alguns núcleos mais duros, e com a extensão do locaute. No mercado de Liniers, onde o boi gordo é negociado, entraram nesta manhã somente 33 cabeças.

MARINA GUIMARÃES, Agencia Estado

31 de agosto de 2009 | 13h47

Por causa da interferência oficial na formação dos preços, desde 2006, surgiu no país o mercado negro ou paralelo de boi gordo. E Liniers deixou de concentrar os negócios, mas ainda é o ponto de referência da atividade e serve como um termômetro do humor dos produtores. Em uma segunda-feira normal, esse mercado costuma receber um mínimo de 10 mil cabeças de gado. Na sexta-feira passada, Liniers tinha recebido 12.426 cabeças, das quais 80% eram provenientes de produtores da província de Buenos Aires.

O locaute foi motivado pelo veto presidencial ao artigo de uma lei aprovada pelo Congresso que beneficiaria os produtores da Província de Buenos Aires, prejudicados pela seca, com uma redução de 50% dos impostos de exportações, em alguns casos, e isenção total, em outros. Os ruralistas com maior mobilização se encontram nas rodovias de Buenos Aires, La Pampa, Santa Fe, Entre Rios e Córdoba. Eles controlam as cargas dos caminhões que passam pelas estradas e rodovias para evitar a comercialização de gado e de grãos. Só passam pelos piquetes os produtos frescos.

"Não houve nenhum caminhão carregado com gado ou grãos nesse fim de semana", afirmou o presidente da Federação Agrária, Eduardo Buzzi. Ele garantiu que não haverá problemas de abastecimento porque "os açougues e os frigoríficos têm seus estoques e os silos também". No mercado, as informações são de que o locaute está afetando as operações das 22 terminais de portos do Rio Paraná da Grande Rosário, onde não tem entrado nenhum caminhão.

Na quarta-feira, os líderes das quatro principais entidades vão se reunir para fazer um balanço do protesto. Em principio, o locaute vai terminar no dia 4 de setembro, mas já existem alguns líderes rurais, como Alfredo De Angeli, da Federação Agrária da Província de Entre Rios, que propõem a extensão do locaute até o dia 8, quando é comemorado no país o Dia do Agricultor. As entidades estão divididas sobre prolongar o locaute ou encerrá-lo na data prevista.

O vice-presidente de Confederações Rurais e deputado eleito, Ricardo Buryaile, disse que "é melhor não prolongar o locaute porque se o governo nos provoca, seria o mesmo que acender um fósforo em um pasto seco".

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