Ruralistas argentinos fazem novo locaute

Movimento recomeçou após prisão de líder no sábado

Ariel Palacios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

16 de junho de 2008 | 00h00

As lideranças das quatro associações ruralistas do país anunciaram ontem de madrugada a convocação do quarto locaute em menos de 100 dias. A paralisação, realizada em protesto contra a política do governo da presidente Cristina Kirchner com o setor agropecuário, implicará na suspensão da comercialização de cereais e oleaginosos pelo menos até quarta-feira. O estopim do novo locaute foi a detenção, no sábado à tarde, do líder ruralista Alfredo De Angeli durante uma manifestação nas proximidades da cidade de Gualeguaychú, na província de Entre Ríos. A prisão de De Angeli, ícone dos protestos ruralistas realizados nos últimos três meses, desencadeou um panelaço em protesto contra a presidente Cristina em Buenos Aires, o que resultou na rápida liberação do líder.Os agricultores exigem o fim dos aumentos que o governo decretou no dia 11 de março sobre os impostos das exportações agrícolas. Eles também querem que o governo elimine as restrições existentes há dois anos sobre as exportações de carne bovina, além das limitações aplicadas desde dezembro à exportação de trigo. O agricultores argentinos acusam a presidente de aplicar pesados tributos para manter o superávit fiscal.TOMAR ARMAS Representantes do governo afirmaram que a presidente Cristina não cederá às exigências. Ontem, o chefe do Gabinete de Ministros, Alberto Fernández, acusou as lideranças agrícolas de "golpistas".Milhares de militantes pró-governo mobilizaram-se para protestar contra os ruralistas e foram à Praça de Mayo, no centro da capital. Eles foram liderados pelo próprio ex-presidente Néstor Kirchner.Luis D?elia, líder de grupos "piqueteiros" (associações que reúnem centenas de milhares de desempregados que recebem subsídios do governo) e comandante da "tropa de choque dos kirchneristas" convocou organizações sociais, sindicais e políticas a "tomar armas para deter o avanço da oligarquia".

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