Russa Gazprom faz acordo para investir na Bolívia

O monopólio russo do gás Gazprom se comprometeu na quarta-feira, 21, a investir em projetos do nacionalização do setor de energia da Bolívia, ao assinar um memorando de entendimento com a estatal boliviana YPFB. A Gazprom monopoliza as exportações de gás natural da Rússia e tem controle quase completo da produção."É o início de um sério relacionamento que levará a substanciais investimentos neste país", disse a jornalistas o diretor da YPFB Manuel Morales Olivera, depois de assinar o acordo com o representante de relações internacionais da Gazprom, Stanislav Tsygankov. Ao ser perguntado sobre os investimentos previstos, Olivera afirmou que: "Não há uma cifra determinada, o memorando estabelece uma série de projetos que terão de ser analisados em detalhe, e de acordo com os resultados dessas análises teremos as quantidades específicas de investimento". De seu lado, Tsygankov disse que o acordo cria as bases para uma associação de longo prazo entre as duas estatais. "Nosso trabalho conjunto vai assimilar toda a cadeia de Hidrocarbonetos, começando por trabalhos de exploração, aproveitamento, transporte, comercialização, industrialização, absolutamente tudo o que se referir ao setor de Hidrocarbonetos", disse. O representante russo afirmou que a Gazprom, maior produtora de gás natural do mundo, apóia os esforços do presidente boliviano, Evo Morales, para exercer um maior controle sobre os recursos naturais do país. Morales nacionalizou o setor de hidrocarbonetos no ano passado e obrigou grandes petrolíferas a entregar uma maior parte de lucros e mais controle ao Estado. Outras petrolíferas estatais, como a argentina Enarsa e a venezuelana PDVSA, também se comprometeram a investir no setor energético da Bolívia. Inclusive a Petrobras, que terá uma redução de receitas na Bolívia pela nacionalização, tem dito que está considerando destinar novos investimentos ao país. O ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, Carlos Villegas, disse que a petroquímica brasileira Braskem deseja construir uma planta na Bolívia, de US$ 1,4 bilhão, próxima da fronteira com o Brasil, para produzir polietileno a partir de gás natural.

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