Rússia abre mercado a alimentos brasileiros

89 estabelecimentos do País foram autorizados a exportar lácteos, bovinos, suínos e frango

Nivaldo Souza, Lisandra Paraguassu, Iuri Dantas / Brasília, Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2014 | 02h04

A Rússia anunciou que vai liberar 89 estabelecimentos agroindustriais brasileiros como exportadores para o seu mercado a partir de hoje. A iniciativa é parte da reação do governo russo às sanções impostas por um grupo de países liderados pelos Estados Unidos e pela União Europeia por causa da anexação da Crimeia à Rússia. Os russos deixarão de comprar alimentos americanos e europeus, e terão de se abastecer em outros países, o que abre mercado para o Brasil.

Serão autorizadas duas plantas de lácteos, quatro de carne suína, 27 de aves e 56 de carne bovina in natura. O Brasil negociou a liberação para a venda de 115 produtos distintos ao parceiro comercial por um ano.

A medida beneficia frigoríficos das empresas BRF, JBS, Marfrig e Minerva, entre outros, instaladas em 12 Estados e no Distrito Federal. A Perdigão e a paranaense Confepar foram autorizadas a exportar lácteos. O Brasil não tinha empresas produtoras de derivados de leite habilitadas na Rússia.

O Ministério da Agricultura não informou as quantidades autorizadas de cada produto. O governo disse apenas que os itens agropecuários envolvidos na negociação somaram US$ 2,72 bilhões em 2013.

O mercado perdido pelos países que sofrerão as retaliações de Moscou representa 3,8 milhões de toneladas de alimentos que precisarão ser abastecidos por novos parceiros. A Rússia importa US$ 43 bilhões por ano em alimentos e se tornou o maior destino das exportações de produtos agrícolas da UE, além de ser o segundo maior importador de frango americano.

Na carne suína, a Rússia demandará 450 mil toneladas para não alterar de forma dramática os preços internos do produto. Na carne de frango, o embargo significará um espaço para as exportações de 338 mil toneladas à Rússia. O consumo anual de frango por lá chega a 4,2 milhões de toneladas.

Em lácteos, a retaliação contra os europeus e americanos abrirá um mercado de 459 mil toneladas anuais, além de 900 mil toneladas em legumes e 1,6 milhão de toneladas em frutas. O ministro da Agricultura russo, Nikolai Fyodorov, declarou à agência de notícias Ria Novosti que a lista de itens embargados será monitorada e pode ser ampliada ou reduzida.

O embaixador da União Europeia na Rússia, Vygaudas Usackas, estimou em 12 bilhões a perda de mercado do bloco no mercado russo - ou cerca de 10% do total das exportações europeias anuais para o país. A UE informou ontem que vai levar as barreiras comerciais dos russos aos tribunais da Organização Mundial do Comércio (OMC). "Restrições comerciais de larga escala motivadas por assuntos políticos são uma violação das regras da OMC", declarou a UE. A chanceler lituana, Linas Linkevicius, confirmou que o embargo pode se transformar em uma guerra nos tribunais. "Essas medidas terão consequências."

Ganho. O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, disse, porém, que um aumento na demanda russa de carne suína não pode ser atendido de imediato pelo Brasil. "Nossa oferta de carne suína é muito baixa e o ciclo para aumentar a produção é de dez meses", afirmou. Em um ano, disse, as vendas para a Rússia poderiam crescer 150 mil toneladas em relação ao volume atual, atingindo 210 mil toneladas.

A ABPA avalia ser viável atender a um aumento no consumo de carne de frango pelos russos. O Kremlin anunciou que 27 estabelecimentos de aves estão habilitados para enviar o produto ao país, entre novas e antigas plantas que estavam sob embargo sanitário. Sem essas unidades, em 2014, a Rússia já representaria 36% das exportações de carne de frango, nas contas da ABPA. / COLABORARAM CÉLIA FROUFE E ANTONIO PITA

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