Rússia adota livre flutuação para o rublo

Moeda russa desvalorizou 30% este ano, e as intervenções no mercado de câmbio já não vinham segurando as cotações

Estado de S. Paulo

10 de novembro de 2014 | 09h40

MOSCOU - Depois de gastar quase US$ 30 bilhões de suas reservas em outubro sem conseguir segurar a cotação do rublo, o Banco da Rússia resolveu deixar a moeda flutuar livremente. O banco central do país anunciou nesta segunda-feira o fim da banda de negociação da moeda e das intervenções regulares no câmbio. 

“Como resultado da decisão, a taxa de câmbio do rublo será determinada por fatores de mercado, o que deve promover a eficiência da política monetária do Banco da Rússia e garantir a estabilidade dos preços”, disse a instituição.

A autoridade monetária reiterou, porém, o direito de intervir no mercado, se necessário, para garantir a estabilidade financeira. Segundo a presidente do Banco da Rússia, Elvira Nabiullina, a partir de agora, o banco vai intervir em qualquer momento e em qualquer volume necessário para acabar com a demanda especulativa por moedas estrangeiras. Ela também disse que o BC vai limitar o fornecimento de liquidez do rublo, que foi parcialmente utilizado para a compra de moedas fortes.

O rublo despencou quase 30% em relação ao dólar este ano, com a queda dos preços do petróleo e as sanções do Ocidente por conta da crise com a Ucrânia reduzindo as exportações da Rússia e os fluxos de investimento.

Em entrevista à TV russa, Elvira Nabiullina disse que a moeda do país está subvalorizada e que a volatilidade recente não é ditada por fundamentos macroeconômicos. Elvira defendeu a decisão desta segunda-feira alegando que, como tinha sido planejado eliminar a banda de negociação da moeda a partir de janeiro, uma antecipação para livre flutuação ajudou a economizar as reservas cambiais. “Se não fizéssemos isso agora, faríamos no futuro, como planejado, mas com reservas mais baixas”, disse.

O ministro de Finanças da Rússia, Anton Siluanov, disse esperar que o rublo se estabilize até o fim do ano, permitindo que o país explore mercados de dívida. Siluanov elogiou o movimento do banco central para permitir que o rublo flutue livremente, mas disse ao Parlamento que a moeda está desvalorizada. Para ele, está claro que a divisa vai se recuperar.

O dirigente disse que seu ministério está analisando, para o próximo ano, a emissão de títulos com rendimento atrelado à taxa de inflação anual, que este ano deverá ultrapassar 8,5%. 

Crescimento menor. O Banco da Rússia reduziu a previsão de crescimento e elevou sua estimativa de quanto capital deixou o país em 2014. Em um relatório sobre a sua política monetária para o período entre 2015 e 2017, o banco central disse que questões geopolíticas e condições econômicas externas se mostraram sérios riscos para as políticas econômicas e monetárias da Rússia. 

O banco afirmou prever que as sanções do Ocidente devem permanecer em vigor até o final de 2017, de acordo com seu cenário base.

O banco central prevê que a economia da Rússia vai crescer apenas 0,3% neste ano, em comparação com a estimativa anterior de alta de 0,4%. Apesar dos desafios econômicos, o banco se comprometeu a trabalhar no sentido de levar a inflação anual para até 4% em 2017. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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