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Rússia destrói toneladas de comida embargada dos EUA e da Europa

Tensões na Ucrânia causaram o embargo dos alimentos; 114 toneladas de carne de porco foram incineradas e 73 toneladas de pêssego, despejadas em uma estrada

The New York Times

07 de agosto de 2015 | 17h01

A Rússia começou a destruir toneladas de alimentos que chegaram da Europa e dos Estados Unidos sob a alegação de que os importadores violaram um embargo aos produtos. Há um ano, quando países ocidentais aplicaram sanções sobre bancos e petroleiras da Rússia por causa do apoio do país ao movimento separatista na Ucrânia, o governo russo proibiu a importação de alimentos da Europa e dos Estados Unidos.

Seguindo ordens do presidente Vladimir Putin, autoridades jogaram em aterros e incineradores de lixo pilhas de carne de porco, tomates, pêssegos e queijo. O recado foi transmitido com euforia pela televisão estatal russa, segundo o The New York Times.

Por outro lado, a destruição de comida provocou revolta em um país onde as taxas de pobreza estão crescendo e as lembranças de tempos de fome da época soviética persistem. Segundo a agência de notícias Reuters, até aliados do governo ficaram chocados com a ideia de fazer uma “cremação de comida”, e um padre ortodoxo nomeou o ato, que começou oficialmente na quinta-feira, de insano e pecaminoso.

Mas com uma  fiscalização corrupta, muitos produtos banidos continuaram a entrar no país. Em resposta a isso, Putin publicou um decreto em 29 de julho ordenando a destruição de alimentos contrabandeados dentro da Rússia a partir desta quinta-feira. 

Em alguns dos casos, funcionários jogaram 114 toneladas de carne de porco em um incinerador, enquanto 73 toneladas de pêssego classificados de origem declarada turca foram parar no fim de uma estrada no oeste de Moscou.

A última vez que a Rússia aceitou ajuda humanitária de alimentos foi em 1998. O jornal Izvestia citou um membro do grupo Comunistas da Rússia dizendo que os alimentos apreendidos deveriam ser enviados para a África, o que “elevaria o prestígio do país entre os africanos”. Outras pessoas públicas sugeriram doar a comida contrabandeada para órfãos. 

A população, por outro lado, pede o fim imediato da medida. Diante de um cenário em que os preços dos alimentos chegaram a triplicar por causa da desvalorização da moeda e dos embargos, dezenas de milhares de pessoas assinaram uma petição pedindo a Putin para cancelar o decreto e parar de desperdiçar comida. 

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