Rússia e UE assinam acordo sobre gás; falta Ucrânia

Apesar de acordo verbal entre UE e Ucrânia, país ainda precisa assinar termo para que ele tenha validade

Associated Press,

10 de janeiro de 2009 | 13h31

A Rússia e a União Europeia (UE) assinaram um acordo com relação aos observadores que irão monitorar o fluxo de gás russo através da Ucrânia. Contudo, o acordo - uma condição imposta pelos russos para retomada do fornecimento de gás para a Europa, que enfrenta um rigoroso inverno - ainda deve ser assinado pela Ucrânia para ter validade. O fluxo de gás para a Europa foi suspenso na quarta-feira.  Veja também:Galeria de fotos dos países afetados   Antes da reunião com a Rússia, o primeiro-ministro da República Tcheca, Mirek Topolanek, havia comunicado um "acordo verbal" com a Ucrânia. "Temos um acordo verbal sobre posicionamento da comissão de acompanhamento nas estações de entrada e saída do gás, tanto em território ucraniano como em solo russo", disse Topolanek.  Representantes russos e europeus aprovaram o acordo após negociações entre o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, e Topolanek, cujo país ocupa a presidência rotativa da UE e está em visita à Rússia.  Putin insiste que um acordo por escrito é necessário para controlar o fluxo de gás para a Europa. Moscou acusa a Ucrânia de roubar o gás russo destinado para a Europa, o que o governo ucraniano nega veementemente.  Os observadores da UE desembarcaram na Ucrânia na sexta-feira para se prepararem para monitorar o fluxo de gás e agir como árbitros em uma feroz batalha econômica entre os ex-Estados soviéticos. Contudo, o fluxo de gás permanece suspenso enquanto russos e ucraniano continuam a brigar sobre os detalhes do acordo de monitoração.  "Eu espero que você tenha sucesso em persuadir nossos parceiros ucranianos a assinarem os documentos que vão estabelecer um mecanismo para trânsito do nosso gás através da Ucrânia", disse Putin em sua residência fora de Moscou no início de seu encontro com Topolanek. A Ucrânia diz que o acordo proposto pela Rússia dará aos representantes russos muito acesso ao sistema de trânsito de gás ucraniano. "O objetivo do protocolo é basicamente dominar o lado ucraniano para a Gazprom (que detém o monopólio de gás na Rússia)", disse o vice-ministro de Relações Exteriores da Ucrânia, Kostyantyn Yeliseyev, neste sábado, 10. "Isto basicamente abre caminho para a expropriação do sistema de transporte de gás ucraniano pelo lado russo", acrescentou.  Volodymyr Trikolich, vice-chefe da estatal de gás ucraniana Naftogaz, também afirma que a Gazprom quer ganhar acesso as estações de bombeamento de gás ucraniano, para conduzir uma completa revisão de todo o sistema de transporte do país, incluindo suas instalações de estocagem, ao mesmo tempo que não concede à Ucrânia igual acesso ao sistema russo.  O porta-voz das Relações Exteriores da Rússia Andrei Nesterenko rejeitou aquelas alegações, dizendo que o "único objetivo de Moscou é assegurar um trânsito transparente do gás através da Ucrânia". Ele disse em um comunicado que a hesitação da Ucrânia em assinar o acordo significa que "ela tem algo a esconder".  Os governos da UE têm criticado tanto a Rússia e a Ucrânia pela crise, dizendo que é inaceitável ver as casas sem aquecimento e as empresas suspendendo a produção durante o inverno por causa da disputa comercial. "Isto já foi longe demais e não é mais uma questão de que é o culpado", disse Topolanek a Putin. O premiê checo disse que não vai deixar a região até que o gás russo volte a fluir através da Ucrânia para seus clientes na Europa. "Eu enviei um sinal para os líderes da Ucrânia de que vou permanecer na região até que tenhamos o gás fluindo", disse Topolanek.  Reação ucraniana Em Kiev, capital da Ucrânia, o presidente Viktor Yushchenko disse que seu país vai fornecer gás para a Bulgária e a Moldávia, atingidas pelo corte no fluxo de gás russo. Yushchenko disse que a Ucrânia vai ajudar os dois países enviando gás de suas próprias reservas a partir deste sábado. Ele não disse por quanto tempo a Ucrânia forneceria o gás.  O vice-chefe da Naftogaz, Volodymyr Trikolich, disse que vai fornecer cerca de 2 milhões de metros cúbicos de gás por dia para a Bulgária e 1,5 milhão de metros cúbicos de gás por dia para a Moldávia.

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