Rússia fecha acordo de US$ 400 bi para vender gás à China

Negócio anunciado ontem é um trunfo político para Vladimir Putin, que corre risco de perder mercado por conta da crise na Ucrânia

O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2014 | 02h13

XANGAI - China e Rússia assinaram ontem um acordo de US$ 400 bilhões para fornecimento de gás, assegurando ao maior consumidor de energia do mundo uma fonte mais limpa e abrindo um novo mercado para Moscou, que está sob risco de perder clientes europeus por conta da crise na Ucrânia.

O aguardado acordo, com duração de 30 anos, é um trunfo político para o presidente russo, Vladimir Putin, que está buscando parceiros na Ásia, uma vez que Europa e EUA buscam seu isolamento depois que Moscou anexou a península da Crimeia, na Ucrânia.

Mas, do ponto de vista comercial, muito depende dos preços e de outros termos não revelados do contrato, que levou mais de uma década para ser fechado. "Este é o maior contrato da história do setor de gás da ex-União Soviética", disse Putin, após a assinatura do acordo com seu colega Xi Jinping, em Xangai, entre as estatais Gazprom e China National Petroleum Corp (CNPC).

"Quero salientar que um árduo trabalho foi feito no nível de especialistas. Nossos amigos chineses são negociadores difíceis", disse ele, ressaltando que as negociações se estenderam até as 4h. "Através de um compromisso mútuo, nós conseguimos alcançar termos não apenas aceitáveis, mas sim satisfatórios para ambos os lados. Estamos, no fim, contentes pelo compromisso alcançado sobre o preço e outros termos."

O presidente da Gazprom, Alexei Miller, se negou a informar os termos do acordo, mas fontes de companhias envolvidas disseram que a Gazprom recusou valor abaixo de US$ 350 por mil metros cúbicos. Isso se comprara com o intervalo de preços entre US$ 350 e US$ 380 que a maior parte dos europeus paga em contratos de longo prazo assinados nos últimos anos.

Investimentos. O acordo para fornecimento de gás da Rússia para a China prevê que os investimentos russos serão de cerca de US$ 55 bilhões, enquanto os investimentos chineses somarão US$ 20 bilhões, segundo Vladimir Putin.

A Rússia investirá em dois campos de gás siberianos, Kovykta e Chayanda, e começará a construção do maior oleoduto do mundo pelos próximos quatro anos, disse Putin, segundo a agência de notícias Interfax. / Agências internacionais

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