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Rússia levará a G-20 plano para mudar ordem mundial 'obsoleta'

Ordem econômica unipolar deve ser substituída por uma que adote decisões combinadas e coletivas, diz Kremlin

Nathália Ferreira - Agência Estado,

16 de março de 2009 | 09h27

A Rússia revelou planos para uma extensa reforma financeira global com intuito de enfraquecer a dominância dos EUA e colocar a ordem econômica mundial "obsoleta" no passado. Em um documento de seis páginas direcionado para o encontro do G-20 em Londres, publicado nesta segunda-feira, 16, o Kremlin disse que a desaceleração econômica global foi resultado do "colapso do sistema financeiro existente" devido à fraca gestão e insuficiência básica.

A crise atual "demonstrou a necessidade de abandonar as abordagens tradicionais e adotar decisões combinadas coletiva e internacionalmente que visam essencialmente desenvolver um sistema de gestão do processo de globalização", afirmou o governo russo.

O documento detalha cinco princípios nos quais "uma nova arquitetura financeira internacional" deve ser baseada e oferece propostas concretas em oito áreas específicas para o G-20 considerar. Essas oito áreas incluem reforma do sistema financeiro e monetário internacional, reforma das instituições do sistema e estreitamento da regulação financeira e da supervisão financeira.

O Kremlin afirmou que o encontro de Londres, no dia 2 de abril, deve concordar com "parâmetros" de um novo sistema financeiro global, mas deve ser seguido de uma conferência internacional para adotar convenções sobre as novas regulações financeiras globais.

"O sistema de tomar decisões coletivas só pode se tornar eficiente quando for legitimado e representar os interesses de uma faixa ampla de participantes", disse o Kremlim. E acrescentou: "A ordem econômica unipolar obsoleta deve ser substituída por um sistema baseado na interação de vários grandes centros."

 

Embora o documento russo demonstre apoio a algumas das propostas discutidas no sábado pelos ministros das Finanças do G-20, como por exemplo aumentar o financiamento do Fundo Monetário Internacional, algumas ideias quase que certamente vão incomodar os EUA.

"Maior transparência dos países que emitem moedas usadas em reservas quando conduzirem suas políticas monetárias é de fundamental importância", disse o Kremlim, referindo-se ao que muitos veem como uma questão de soberania nacional.

 

O documento, sem explicitamente citar os EUA, chama atenção para empresas e instituições que são nominalmente nacionais, mas na prática têm influência direta e diária nas pessoas no mundo todo. Ele também pede um acordo internacional sobre regras globais para regulação do setor financeiro, ou uma "Estrutura de Regulação Universal Padrão".

 

O Kremlin disse ser "crucial" expandir o número de países representados no Fórum de Estabilidade Financeira, um grupo baseado na Suíça criado pelo G-7 para promover a estabilidade financeira internacional. As informações são da Dow Jones.

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