Rússia pede aos Estados Unidos apoio para entrar na OMC

Primeiro-ministro russo decidiu por pedido após Obama recuar no assunto do escudo antimísseis na Europa

AE,

18 de setembro de 2009 | 14h43

Um dia após o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciar a reformulação no escudo antimísseis no Leste Europeu, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, pediu que Washington apoie a entrada da Rússia na Organização Mundial do Comércio (OMC). A informação foi divulgada pela agência Interfax, segundo a qual o pedido de Putin também inclui a entrada da Bielo-Rússia e do Casaquistão na OMC.

 

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Em junho, Putin afirmou que a Rússia buscaria o acesso à OMC em um bloco, aliando-se à Bielo-Rússia e ao Casaquistão no tema. A decisão foi recebida com surpresa pela OMC.

 

A Rússia começou a negociar sua entrada no organismo em 1993, mas as conversas enfrentaram várias barreiras desde então. O país permanece assim como a principal economia do mundo ainda fora da entidade.

 

Já o escudo antimísseis no Leste Europeu era um ponto de discórdia entre EUA e Rússia. Washington afirmava que o alvo da iniciativa era apenas obter proteção contra um eventual ataque do Irã, mas Moscou se dizia ameaçada. A reformulação do projeto foi saudada por autoridades russas.

 

Putin elogiou, nesta sexta-feira, o fato de Obama ter cancelado o programa antimísseis da era George W. Bush, que previa instalações norte-americanas na Polônia e na República Checa. O primeiro-ministro russo qualificou a atitude de Obama de reformular a iniciativa como "correta e brava".

 

"E eu espero muito que essa decisão correta e brava será seguida por outras", afirmou Putin, durante um fórum de investimentos em Sochi, no sul russo. Além de mencionar a entrada da Rússia na OMC, Putin defendeu que os EUA retirem restrições à importação de alta tecnologia para a Rússia, vigentes desde a era soviética.

 

A Rússia chegou a ameaçar a instalação de mísseis Iskander perto da fronteira polonesa, em retaliação ao escudo antimísseis norte-americano. Nesta sexta-feira, a agência Interfax citou uma fonte militar segundo a qual essa medida retaliatória deve ser congelada e, possivelmente, cancelada.

 

Na quinta-feira, os oposicionistas do Partido Republicano criticaram duramente a decisão de Obama. "Jogar fora o sistema de defesa antimísseis na Polônia e na República Checa é ceder poder à Rússia e ao Irã, às custas de nossos aliados na Europa", disse o congressista John Boehner, líder da minoria na Câmara.

 

Putin pediu a "completa eliminação de todas as restrições à cooperação com a Rússia". Também nesta sexta-feira, o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, defendeu uma nova parceria entre a aliança e Moscou, com uma "cooperação prática" entre as partes em temas de defesa global. As informações são da Dow Jones.

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