Rússia reduz cota de importação de frango brasileiro

O governo de Moscou avisa: o Brasil não voltará a exportar carne de frango para o mercado russo na mesma proporção que o fez em 2001 e 2002. Em abril, o Kremlin impôs salvaguardas a carne de vários países, afetando as exportações do produto brasileiro. Diante das queixas feitas pelo Brasil, Moscou concordou em rever o valor das cotas que designaria ao País. Mas o vice-ministro do Comércio e Desenvolvimento da Rússia, Maxim Medvedkov, alerta que a cota que será destinada ao País ficará abaixo do que o Brasil exportou em 2002. Segundo o decreto russo, o frango estrangeiro teria de respeitar uma cota de 744 mil toneladas para entrada no país. O volume foi repartido entre os principais fornecedores do produto, entre eles os Estados Unidos, Canadá, Austrália e Brasil, que ficou autorizado a exportar apenas 33 mil toneladas neste ano, ou seja, menos de 5% de tudo o que a Rússia comprar. O problema, segundo os brasileiros, é que a base usada para o cálculo da divisão das cotas entre os países incluiu o fluxo de comércio de 1999, quando o Brasil exportava um volume menor para a Rússia. Em 2002, as vendas de frango do País para o mercado russo foram de 195 mil toneladas, o que equivale a 19% de toda a importação de Moscou. "Estamos tentando acomodar interesses do Brasil, mas a nova cota não permitirá mesmo nível de exportação de 2002. Não seria uma situação realista", explicou Medvedkov. O que o governo quer é que essa nova cota, que estará definida em outubro e começará a valer a partir de 2004, respeite pelo menos a porcentagem que o Brasil ocupava no mercado russo até o ano passado. Se a lógica for respeitada pelos russos, portanto, o País teria o oportunidade de exportar 150 mil toneladas, volume cinco vezes maior que o que oferece Moscou.

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