Rússia sinaliza que poderá retirar embargo à carne brasileira

As carnes são o principal produto de exportação do Brasil para a Rússia, que é o maior comprador de cortes bovinos do País

Claudia Trevisan, enviada especial de O Estado de S. Paulo,

13 de dezembro de 2012 | 10h56

 

MOSCOU - O primeiro-ministro da Rússia, Dimitri Medvedev, disse à presidente Dilma Rousseff que seu país está aberto a resolver os problemas que afetam o relacionamento bilateral. Entre as principais pendências está o embargo de Moscou às importações de carnes dos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul.

As carnes são o principal produto de exportação do Brasil para a Rússia, que é o maior comprador de cortes bovinos do País. A suspensão foi adotada em junho de 2011 e continua em vigor, apesar de autoridades brasileiras terem anunciado seu cancelamento no fim do mês passado.

Dilma se reuniu com Medvedev na Casa de Recepções do governo russo, na única programação oficial de seu primeiro dia de visita ao país.

"O relacionamento russo-brasileiro está no auge, temos um montão de projetos promissores, mas isso não significa que tudo está resolvido", disse Medvedev.

O primeiro-ministro aceitou o convite da presidente para assistir ao Carnaval no Brasil no próximo ano.

Embargo

A Rússia vinha mantendo o embargo às importações de carnes dos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul, apesar de as autoridades brasileiras terem anunciado a suspensão da medida no fim do mês passado.

Nota publicada no dia 23 de novembro no site do organismo responsável pelo controle sanitário do país afirma que as compras "poderão ser retomadas", mas só depois do estudo de documentos apresentados pelo governo brasileiro.

No dia 28, representantes do Ministério da Agricultura anunciaram no Brasil que haviam chegado a um acordo com os russos para a suspensão do embargo, depois de reunião em Moscou da qual participou o secretário de Defesa Agropecuária, Ênio Marques. Mas a versão dos russos do mesmo encontro é mais contida.

Impacto nas exportações

A Rússia suspendeu as importações dos três Estados em junho de 2011, em uma medida que afetou 85 estabelecimentos. Os números relativos ao comércio bilateral mostram o impacto das restrições. Em 2010, as exportações para a Rússia do complexo carnes somaram US$ 1,89 bilhão, o equivalente a 46% dos embarques de US$ 4,2 bilhões.

Com o embargo aos Estados em 2011, as vendas anuais caíram para US$ 1,5 bilhão, uma participação de 36% no total. A carne bovina conseguiu patamar inalterado de US$ 1 bilhões, mas as exportações de suínos caíram de US$ 645 milhões para US$ 391 milhões na comparação entre os dois anos.

Os russos também demandam que o Brasil adote um processo de certificação para comprovar que a carne de porco destinada ao país não contém ractopamina, um aditivo alimentar que reduz a quantidade de gordura do produto. A substância é usada nos Estados Unidos, mas vetada na Europa, na China e na Rússia.

Pedro de Camargo Neto, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), que está em Moscou, disse que os produtores têm linhas segregadas para os países que não aceitam a ractopamina, mas a Rússia anunciou que passaria a exigir certificação desse processo a partir de 7 de dezembro. O Brasil apresentou uma proposta e aguarda a posição de Moscou.

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