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Rússia sugere plano próprio para mudar ordem mundial

A Rússia revelou planos específicos e radicais hoje para uma extensa reforma financeira global com intuito de enfraquecer a dominância dos EUA e colocar a ordem econômica mundial "obsoleta" no passado. Em um documento de seis páginas direcionado para o encontro do G-20 em Londres, o Kremlin disse que a desaceleração econômica global foi resultado do "colapso do sistema financeiro existente" devido à fraca gestão e insuficiência básica.

NATHÁLIA FERREIRA, Agencia Estado

16 de março de 2009 | 11h28

A crise atual "demonstrou a necessidade de abandonar as abordagens tradicionais e adotar decisões combinadas coletiva e internacionalmente que visam essencialmente desenvolver um sistema de gestão do processo de globalização", afirmou o governo russo.

O documento detalha cinco princípios nos quais "uma nova arquitetura financeira internacional" deve ser baseada e oferece propostas concretas em oito áreas específicas para o G-20 considerar. Essas oito áreas incluem reforma do sistema financeiro e monetário internacional, reforma das instituições do sistema e estreitamento da regulação financeira e da supervisão financeira.

O Kremlin afirmou que o encontro do G-20 em Londres, no dia 2 de abril, deve concordar com "parâmetros" de um novo sistema financeiro global, mas deve ser seguido de uma conferência internacional para adotar convenções sobre as novas regulações financeiras globais. O G-20 reúne as sete economias mais industrializadas do mundo e os chamados países emergentes.

"O sistema de tomar decisões coletivas só pode se tornar eficiente quando for legitimado e representar os interesses de uma faixa ampla de participantes", disse o Kremlin. E acrescentou: "A ordem econômica unipolar obsoleta deve ser substituída por um sistema baseado na interação de vários grandes centros."

Embora o documento russo demonstre apoio a algumas das propostas discutidas no último sábado pelos ministros das Finanças do G-20, como por exemplo aumentar o financiamento do Fundo Monetário Internacional (FMI), algumas ideias quase que certamente vão incomodar os EUA.

"Maior transparência dos países que emitem moedas usadas em reservas quando conduzirem suas políticas monetárias é de fundamental importância", disse o Kremlin, referindo-se ao que muitos veem como uma questão de soberania nacional.

O documento, sem explicitamente citar os EUA, chama atenção para empresas e instituições que são nominalmente nacionais, mas na prática têm influência direta e diária nas pessoas no mundo todo. Ele também pede um acordo internacional sobre regras globais para regulação do setor financeiro, ou uma "Estrutura de Regulação Universal Padrão".

O Kremlin disse ser "crucial" expandir o número de países representados no Fórum de Estabilidade Financeira, um grupo baseado na Suíça criado pelo G-7 para promover a estabilidade financeira internacional. As informações são da Dow Jones.

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