Rússia suspende embargo à carne de três Estados

Retomada das vendas de Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul depende apenas de trâmites burocrárticos

VENILSON FERREIRA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 02h10

A Rússia suspendeu o embargo à entrada de carne bovina, de aves e de suínos vindas do Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul. A decisão foi comunicada no fim da semana passada ao embaixador brasileiro em Moscou e ao secretário de Defesa Agropecuária, Ênio Marques, durante encontro com o chefe do serviço sanitário russo (Rosselkhoznadzor), Sergey Dankvert.

Segundo o governo brasileiro, a retomada das exportações dos três Estados para o mercado russo ainda depende da emissão de comunicado oficial pelo serviço sanitário daquele país e da habilitação específica por estabelecimento exportador.

Ênio Marques explicou que os dois países também acertaram que todos os lotes de carne a serem enviados ao país europeu deverão ser acompanhados de declaração adicional, confirmando a ausência do uso do indutor de crescimento ractopamina e do de hormônio de crescimento.

Para retomar as exportações de carnes para a Rússia, frigoríficos de Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul que estão habilitados terão de cumprir um plano de ação e assumir o termo de responsabilidade sobre exigências do serviço sanitário russo.

Segundo dados do Ministério da Agricultura, das 120 plantas de todo o País que estão habilitadas pelo Rosselkhoznadzor apenas 40 estão liberadas para exportar carne para o mercado russo. As outras 80 estão sob restrição temporária ou com a exportação simplesmente suspensa por conta de problemas sanitários encontrados nas cargas. Das plantas que estão aptas a exportar, 24 são de bovinos, 12 são de aves e outras quatro de suínos.

Exportações. Apesar das restrições russas, o volume das exportações brasileiras de carnes até outubro cresceu 4,7% em relação a igual período do ano passado, enquanto o valor teve leve aumento de 0,5%. No acumulado do ano, as exportações brasileiras de carne bovina para o mercado russo aumentaram 5,9% em volume e 0,5% em valor. Mesmo com apenas quatro plantas liberadas pelos russos, as exportações de carne suína recuaram apenas 9,34%, enquanto a receita teve queda de 16,5%.

O presidente da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), Francisco Turra, disse, em nota, que a decisão do governo russo de reverter o embargo "segue a lógica e demonstra o reconhecimento do Leste Europeu à capacidade do setor exportador brasileiro de proteína animal". Segundo ele, houve um envolvimento grande do Ministério da Agricultura e das entidades exportadoras de proteínas - a Ubabef, a Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carnes Suína (Abipecs) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

"Com todas as solicitações atendidas, não havia mais justificativas para que esse embargo perdurasse. Apesar do fim do embargo, ainda enxergamos a visita da presidente brasileira à Rússia como um importante passo para evitar que novos embargos ocorram no futuro", destacou Turra, no comunicado. A presidente Dilma Rousseff visitará a Rússia em dezembro. / COLABOROU SUZANA INHESTA

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