Rússia suspende embargo ao frango brasileiro

O governo russo decidiu suspender o embargo à carne de frango brasileira a partir do dia 7 de fevereiro, mas manteve as barreiras contra as exportações de carne suína e bovina. A suspensão anunciada pelo governo russo nesta sexta-feira foi, teoricamente, parcial, já que continuam proibidas importações vindas dos Estados do Amazonas e do Pará. Mas, na prática, como o Brasil não exporta frango dessas regiões, a medida significa a reabertura total do mercado russo para o produto brasileiro. No ano passado, essas exportações ficaram em US$ 160 milhões.Também nesta sexta-feira, o governo russo encaminhou ao Ministério da Agricultura uma série de perguntas sobre a situação da carne bovina e suína exportada pelo Brasil. Segundo Yuri Ribeiro, que representa a Associação dos Exportadores de Carne brasileiros em Moscou, a resposta brasileira deve chegar à Rússia depois do Carnaval e, até o fim de fevereiro, os russos devem ter uma resposta final sobre o assunto. Para ele, a questão do embargo aos três tipos de carne, que representam exportações anuais de cerca de US$ 700 milhões, é mais política do que técnica. "A Rússia está usando o embargo como instrumento de barganha em diversas negociações comerciais com o Brasil no cenário internacional", disse.Uma missão técnica da Secretaria de Defesa Agropecuária também vai embarcar nos próximos dias para Moscou com o objetivo de apresentar ao governo russo esclarecimentos adicionais sobre a campanha de vacinação contra febre aftosa desenvolvida no País. De acordo com informações extra-oficiais, a Rússia teria sinalizado que manteria o embargo à carne bovina e suína porque tinha dúvidas sobre as campanhas de vacinação contra a doença realizadas pelo Brasil.Sem razões técnicasO ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, foi cauteloso ao avaliar a decisão da Rússia de retomar as compras de carne de frango do Brasil, apurou a repórtes da Agência Estado, Fabíola Salvador. "Embora elogiável, a decisão ainda não reflete o desejo do governo brasileiro", afirmou Rodrigues em nota distribuída pela Assessoria de Imprensa do ministério. "Tecnicamente, não há razão para manter a restrição às carnes suína e bovina", acrescentou o ministro. Desde novembro de 2004, a Rússia estava importando apenas carne suína de Santa Catarina, estado considerado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como livre de aftosa sem vacinação. Os demais estados estavam proibidos de exportar qualquer tipo de carne àquele mercado russo. O embargo vigora desde 21 de setembro, quando o ministério confirmou o registro de febre aftosa - o segundo do ano - em fazenda localizada no município de Careiro da Várzea, no Amazonas. Acordo entre os dois países permitiu o embargo dos contratos firmados antes do embargo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.