Russos sofrem com inflação e piora no crédito

No dia a dia dos russos, a turbulência econômica se traduz em adversidades cotidianas. Não há penúria de alimentos, como frisa o economista Andrey Sizov Jr., fundador da consultoria SovEcon, especializada no mercado alimentício. Mas o espectro da recessão profunda existe. "Até aqui, a situação é um pouco mais difícil do que a que vivemos em 2008."

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

21 Dezembro 2014 | 02h05

Se não trouxeram penúria de alimentos, as sanções dos EUA e da Europa vêm causando inflação crescente e perda da qualidade dos produtos consumidos. Carne suína e açúcar estão custando 25% mais do que no início do ano, enquanto peixes e frutos do mar subiram 15%. Importados refinados, como queijos franceses e italianos, cederam lugar nas prateleiras a equivalentes do Uruguai - nada dramático, a não ser pelo preço.

Alguns setores da economia também sofrem as consequências do embargo e da queda do preço do petróleo. O sistema financeiro está se estrangulando. A taxa cobrada pelas instituições para empréstimos interbancários dobrou em um mês, chegando a 27% - o maior índice em oito anos. "Por causa das sanções, não temos mais acesso a crédito de bancos europeus, o que é um problema sério", conta Bakhtiyar Ramanov, fundador e presidente da Iposcorp, empresa com mais de 600 trabalhadores que importa e fabrica equipamentos de exploração de petróleo e gás para clientes como Gazprom, Lukoil e Halliburton.

"Há alguns meses, se eu quisesse fazer negócios com a francesa Total, por exemplo, tomava crédito do banco francês BNP Paribas. Mas depois da guerra na Ucrânia, se pego uma linha de crédito não posso mais fazê-lo na Europa, por causa das sanções, nem na Rússia, porque não há crédito. Sobram os intermediários, o que não é bom." / A.N.

Mais conteúdo sobre:
O Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.