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Saca de soja é moeda corrente nos negócios

Primeira parcela é paga com safra atual e as futuras safras são as garantias de pagamento para comerciantes

FÁTIMA LESSA, ESPECIAL PARA O ESTADO / CUIABÁ, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2012 | 03h07

O agronegócio em Mato Grosso, além de colocar o Estado no topo do ranking do maior produtor de grãos do País, traz reflexos em todos os setores da economia. Em Cuiabá, as revendedoras de carros de luxo comemoram. "Agora, o segundo carro da família também já é um de luxo", disse o presidente do Sindicato dos Distribuidores de Veículos em Mato Grosso, Manoel Guedes. No interior, além dos carros, móveis, imóveis e materiais para construção são comprados com o dinheiro da soja - ou até mesmo trocados pelo produto.

Em Cuiabá, uma construtora investiu num condomínio de luxo vertical cuja moeda para compra era a soja. Em menos de 40 dias, 70% estavam vendidos. O presidente da Associação Comercial e Empresarial (Aces), Hilton Polesello, disse que, em Sorriso, com a soja, é possível comprar terrenos, motos, casas, carros e máquinas agrícolas.

A empresária catarinense Neiva Dalla Valle, do setor imobiliário em Sorriso, veio ao Estado como fotógrafa, mas logo se transformou em corretora de imóveis. Ela vende propriedades em cidades que vivem do agronegócio, como Primavera do Leste e Sorriso - esta última é a maior produtora de soja do mundo, com 600 mil hectares a cada safra, segundo dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Troca. Neiva contou que 80% das vendas de casas têm como moeda a soja. Funciona como uma troca. O comprador paga a entrada pelo imóvel em sacas de soja. As demais parcelas também podem ser quitadas com a soja das safras seguintes.

Em Sorriso, um terreno na avenida principal, de cerca de 800 metros quadrados, não sai por menos de R$ 1 milhão. Essa mesma área, em 2011, custava em torno de R$ 600 mil. A soja, segundo a empresária, é a moeda que o agricultor conhece. "É uma vantagem, pois ele sabe como é a moeda dele. Sabe o custo que é para plantar."

Uma das maiores revendas de veículos de Sorriso também aceita a soja como moeda. O empresário Plínio Edimar Ficagna garante que cerca de 20% dos seus negócios são pagos com soja. Ele venda uma média de 20 automóveis por mês.

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