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Sachsida assumiu ministério com a espada no pescoço para evitar novas altas da gasolina

Na busca pela reeleição, Bolsonaro cobra do ministro a apresentação urgente de propostas para, de imediato, evitar novos aumentos que são já esperados para os combustíveis

Adriana Fernandes*, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2022 | 04h00

Outsider do setor de energia, o economista Adolfo Sachsida, novo ministro de Minas e Energia, assumiu o cargo com a espada no pescoço colocada pelo presidente Bolsonaro.

Na busca pela reeleição, Bolsonaro cobra do ministro a apresentação urgente de propostas para, de imediato, evitar novos aumentos que são já esperados, como o da gasolina. Uma nova alta seria uma desmoralização para ele, que demitiu o ministro Bento Albuquerque no dia seguinte que a Petrobras elevou o preço do diesel em 8,87%.

Em resposta, a pressão do presidente é repassada para a Petrobras com a possibilidade de troca de diretores e até mesmo do novo presidente José Mauro Ferreira Coelho. Sachsida e sua equipe quebram a cabeça para apresentar e anunciar propostas. Ele sabe que, se não entregar, é candidato a entrar na fila da fritura.

O ministro tem falado em saídas pró-mercado, mas o presidente quer mesmo que a empresa faça uma mudança significativa na forma como faz os seus reajustes, alongando no tempo os anúncios e dando uma trégua nos aumentos. No pelotão de frente da fritura, Bolsonaro acena com mais mudanças na Petrobras. “Tem mais coisa para acontecer na questão da Petrobras”, disse esta semana.

O ponto central é que todo o governo, inclusive a equipe econômica, acha que a Petrobras fez pouco até agora e pode fazer mais diante do lucro do primeiro trimestre (R$ 44,5 bilhões), quatro vezes maior do que o esperado.

Na crise, a Petrobras aprovou a entrega de 300 mil auxílios, no valor de R$ 100 cada um, para a aquisição de botijões de gás de cozinha (GLP) por famílias em situação de vulnerabilidade social ainda este ano.

“É nada”, critica um auxiliar do presidente, que diz que a empresa pode encontrar, sim, alternativas e contribuir muito mais com base em decisão empresarial que leve em consideração também o risco de imagem para sociedade.

Exemplos desse tipo de comportamento têm sido citados internamente, como o da Renault, que vendeu suas fábricas e toda a operação na Rússia (assumindo prejuízo) depois da guerra da Ucrânia.

O governo acredita que a estatal tem autonomia e pode encontrar brechas na sua governança e entregar mais. Vem daí a aposta redobrada do presidente com novos ataques à Petrobras, numa tentativa de transformar a companhia em “vilã” para o povo brasileiro.

O Congresso (com o apoio dos parlamentares da oposição) vai seguir nesse caminho e se juntar à pressão. Sachsida e Coelho já foram “convidados” para ir ao Parlamento e dar explicações. A fritura é geral e a eleição é logo ali.

* REPÓRTER ESPECIAL DE ECONOMIA EM BRASÍLIA

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