Fernando Scheller/Estadão
Fernando Scheller/Estadão

'Sacoleiros' somem dos outlets

O quiosque do outlet Sawgrass Mills onde trabalha a brasileira Priscila Gomes, de 32 anos, deixa claro quem é seu público-alvo ao exibir, bem claramente, a palavra “perfume” na fachada. O trio de atendentes - incluindo o dono, que é israelense - fala português para garantir que o principal público não fique desatendido caso Patrícia saia para almoçar ou tomar um café. Durante os anos de bonança, até 2014, entrava dia e saia dia, chegava um sacoleiro, que revendia produtos no Brasil, e levava 20 ou 30 perfumes de uma vez. 

O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2015 | 18h12

Embora os brasileiros continuem a circular pelo shopping, ainda que em menor número, a alta do dólar acabou de vez com o modelo de negócio dos sacoleiros. Se o cliente comum já fica em dúvida na hora da compra, os sacoleiros, que precisavam obter uma boa margem de lucro sobre os produtos para pagar as despesas da viagem, desapareceram de vez. Caiu a venda do pequeno quiosque de perfumes e também a renda de Priscila, que recebe um valor fixo por hora e uma comissão pelas vendas totais. “O movimento diminuiu muito, muito mesmo, especialmente neste ano”, diz a vendedora.

Além do quiosque de perfumes, outras lojas do Sawgrass Mill sofreram com a recente cautela dos brasileiros em comprar. A Sunglass Hut, de óculos de sol, viu o movimento cair pela metade no último ano - ao multiplicar o dólar por R$ 4, as pessoas passaram a preferir pagar o produto parcelado no Brasil. As brasileiras também eram 80% da clientela de uma loja da italiana Missoni, localizada em um shopping de luxo de Miami, cujos vestidos custam cerca de US$ 1 mil. Com a valorização do real, as vendas da marca sofreram.

Segundo cálculos do Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV), as roupas representam cerca de 30% de tudo o que os brasileiros compram em mercadorias no exterior. As redes brasileiras de preço mais alto, como Ellus e Richards (da InBrands) e Le Lis Blanc e John John (da Restoque) seriam as primeiras a sentir os benefícios da redução das compras lá fora.

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